
A nomeação do próximo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) virou uma novela que escancara o jogo de interesses políticos no coração do poder em Brasília. Quase nove meses após a formação da lista tríplice pelo Ministério Público, Lula (PT) ainda não tomou uma decisão — e o motivo tem menos a ver com critérios técnicos e mais com barganhas eleitorais.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pediu ao Planalto um “tempo” para que a escolha final seja adiada. Lira articula sua candidatura ao Senado em 2026, e a indicação ao STJ pode se tornar peça-chave no seu tabuleiro político, principalmente diante do avanço do prefeito de Maceió, JHC (PL).
JHC, que deve entrar na disputa ao Senado e rivalizar com Lira, também tem interesse direto na escolha. Isso porque sua tia, a procuradora Maria Marluce Caldas, está entre os nomes cotados na lista tríplice. O prefeito estaria disposto a apoiar Lula em Alagoas, em troca da nomeação da parente ao STJ — o que revela o uso escancarado de cargos judiciais para fins eleitorais.
Enquanto o país enfrenta crise institucional, Lula e seus aliados tratam a composição do Judiciário como moeda de troca. O STJ, que deveria ser um pilar técnico e imparcial, é mais uma vez colocado no centro de uma barganha rasteira. O povo fica de fora do debate, enquanto os caciques políticos fazem conchavos para manter o poder em suas mãos.