
Realizada desde 1997 na Avenida Paulista, em São Paulo, a Parada do Orgulho LGBT+ vive momento de redução de patrocínios e recursos financeiros.Segundo a organização do evento, nas edições de 2022 e 2023 a Parada arrecadou cerca de R$ 5 milhões por ano, com sete marcas patrocinadoras. Para 2026, a estimativa caiu para R$ 2 milhões, com apenas duas empresas confirmadas: a Amstel (grupo Heineken) e a L’Oréal.Nos últimos cinco anos, importantes marcas deixaram o evento, entre elas Burger King, Jean Paul Gaultier, Mercado Livre, Sephora, Smirnoff, Terra e Vivo.
Diante da redução de patrocínios privados, a organização tem buscado apoio junto a parlamentares progressistas para garantir recursos públicos por meio de emendas parlamentares nas próximas edições.Nelson Matias Pereira, presidente da APOLGBT-SP (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo), confirmou à Folha de S.Paulo que o grupo já tem procurado deputados para viabilizar verba para o evento de 2027:
“A gente fez um caminho que foi, pela primeira vez, trabalhar com um hub de emendas. A gente entende que as emendas estão lá e são públicas. Desde que eu faça tudo corretamente, com um plano de trabalho e prestação de contas, elas podem ser usadas.”
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Pereira relatou dificuldades na articulação: “A gente bateu na porta de 26 deputados federais progressistas, mas tivemos retorno de apenas quatro. Se eu tivesse apoio de dez com uma emenda de R$ 500 mil, eu não estaria na mão nem da Prefeitura, nem da iniciativa privada”.Ele adiantou que pretende retomar as conversas após as eleições de 2026:
“Vou esperar uma segunda janela que vai se abrir após a eleição e bater de novo na porta dos deputados progressistas para ver se toco o coração deles para que a gente não dependa de nenhuma marca ano que vem para colocar a Parada na rua.”
A Parada do Orgulho de São Paulo é um dos maiores eventos do mundo dedicados à representatividade e à luta por direitos da comunidade LGBTQIA+.No entanto, o avanço da agenda “anti-woke” em várias partes do mundo tem levado empresas a se afastarem de eventos considerados progressistas e mais alinhados à esquerda. Em ano eleitoral, como 2026, esse movimento fica ainda mais evidente.Nelson Matias Pereira, presidente da APOLGBT-SP, reconhece que a redução de patrocínios era esperada:
“Infelizmente, as pautas ligadas à diversidade e à inclusão dos direitos humanos acabaram sofrendo ataques coordenados por diversos setores conservadores. E acho que muitas empresas acabaram recuando por pressão ideológica.”
A organização da Parada tem enfrentado dificuldades para manter o evento no mesmo patamar dos anos anteriores, o que reflete uma mudança mais ampla no comportamento de marcas em relação a causas consideradas polarizadas.
