A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que uma espingarda registrada em seu nome permanece, desde a aquisição, nas instalações da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, em Caxias do Sul (RS). Por esse motivo, segundo os advogados, o armamento não foi entregue à Polícia Federal (PF).

A manifestação foi protocolada na segunda-feira (6), em resposta ao registro do Exército Brasileiro informando que duas armas vinculadas ao nome de Bolsonaro não estavam entre os equipamentos enviados à PF para cumprimento da determinação judicial.

De acordo com a petição enviada ao STF, a espingarda Maestro Arms Company calibre 12 foi recebida pelo ex-presidente como presente, mas nunca foi retirada da empresa. O documento afirma:

“Isso porque o referido armamento, recebido pelo peticionário a título de presente, nem sequer chegou a ser retirado das dependências da empresa, circunstância que explica sua permanência naquele estabelecimento comercial até o presente momento”.

Apesar da explicação sobre a espingarda, a defesa não informou o paradeiro da outra arma citada pelo Exército, uma pistola Glock calibre 9×19 mm Parabellum, que também não foi localizada durante o levantamento realizado pela corporação militar.

Conforme relatório do comandante do Batalhão de Polícia do Exército, tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, seis armas registradas em nome de Bolsonaro foram entregues à Polícia Federal. No entanto, a espingarda Maestro Arms Company calibre 12 e a pistola Glock calibre 9×19 mm não foram encontradas na unidade.

Entre os armamentos encaminhados à PF estão uma pistola Taurus calibre .40 S&W, um fuzil Springfield Armory calibre 7,62×51 mm, uma espingarda Typhoon calibre 12 GA, uma pistola Arex calibre 9×19 mm e uma pistola SIG Sauer calibre 9×19 mm. Todos os equipamentos são de uso restrito.

O caso ganhou novos capítulos em junho, quando uma arma registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma abordagem envolvendo um agente de segurança. O episódio levou à abertura de um inquérito para apurar os fatos.

Ao prestar depoimento, o ex-presidente confirmou ser o proprietário da arma apreendida e afirmou que ela permanecia em sua residência, no condomínio Solar de Brasília, durante o período em que cumpria prisão domiciliar. Segundo o relato, Bolsonaro justificou a permanência do armamento dizendo que “tem três mulheres em casa” e, portanto, não poderia ficar desarmado.

Nas investigações, o ministro Alexandre de Moraes determinou que todas as armas de fogo registradas no Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Jair Bolsonaro sejam entregues à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para as providências cabíveis.

By Jornal da Direita Online

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