
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não tinha a menor ideia de que Jaques Wagner era o principal alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Ele estava na França, acompanhando o presidente Lula na cúpula do G7, quando a ação foi deflagrada simultaneamente em Brasília, Salvador e São Paulo. A surpresa foi geral — tanto para ele quanto para o próprio chefe do Executivo.
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A cena ficou marcada: o presidente da República e o diretor da PF, juntos em Évian, descobrindo pela imprensa que agentes da corporação haviam batido à porta de um amigo de quatro décadas de Lula. Foi exatamente o que o ministro André Mendonça quis. Desde fevereiro, ao assumir a relatoria do caso Banco Master no STF, ele determinou que nenhum desdobramento do inquérito fosse repassado à cúpula da Polícia Federal — blindando a operação contra qualquer risco de vazamento para o Planalto.
O resultado foi preciso e cirúrgico. Enquanto Lula discursava no G7 sobre soberania digital e exclusão na África, Mendonça assinava os mandados em Brasília. No mesmo instante, ao lado do presidente, Andrei Rodrigues tomava conhecimento de que os agentes haviam encontrado US$ 55 mil, 33 mil euros e relógios Rolex no quarto de hotel do líder do governo no Senado.
A compartimentação imposta por Mendonça não foi mero formalismo burocrático — foi uma estratégia deliberada. Pela primeira vez, o governo que costuma controlar a narrativa da PF perdeu o controle da própria instituição. Prova disso é que o diretor-geral da Polícia Federal soube da operação contra o principal aliado de Lula no Senado pelo mesmo meio que qualquer cidadão comum: a imprensa.
