
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que colocará em votação, na próxima quinta-feira (27), o pedido de convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão abre caminho para uma possível ida do ministro ao colegiado, onde poderá ser questionado sobre irregularidades envolvendo o Sindnapi, entidade ligada a Frei Chico, irmão do presidente Lula. O movimento elevou a tensão política em Brasília e trouxe novas dificuldades para a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, Viana afirmou: “Tomei a decisão de colocar em pauta a votação do pedido de convocação do Ministro da AGU, Jorge Messias. Os parlamentares terão a oportunidade de votar contra ou a favor.” O senador reforçou que o Parlamento existe para permitir que a verdade apareça, destacando que não há espaço para omissões em temas de interesse público. O gesto foi interpretado como sinal de firmeza e independência da comissão.
A convocação ocorre porque Messias teria ignorado alertas internos da própria AGU sobre indícios de irregularidades no Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Documentos apontam que a entidade apresentava possíveis desvios e práticas irregulares, mas, mesmo assim, nada foi feito para impedir repasses ou investigações mais profundas. O caso ganhou ainda mais relevância pelo fato de Frei Chico, irmão de Lula, ocupar posição de destaque na entidade.
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O episódio coloca ainda mais pressão sobre a já complicada tramitação da indicação de Messias ao STF. Sem apoio consolidado no Senado — e enfrentando resistência crescente de lideranças como Davi Alcolumbre —, o ministro chega enfraquecido ao momento decisivo. Uma convocação pela CPMI pode representar uma exposição pública desgastante e, na prática, um golpe fatal para suas pretensões de assumir a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que a situação de Messias se deteriora rapidamente. A CPMI foi instalada exatamente para apurar irregularidades no INSS, e qualquer indício de omissão da AGU pode se tornar arma política nas mãos de opositores. Para muitos senadores, a convocação seria uma oportunidade de expor fragilidades e testar a resistência de um nome que o governo tenta empurrar goela abaixo do Legislativo.
A quarta-feira promete ser marcada por articulações intensas entre governo, oposição e independentes. Se Messias for convocado, o Planalto terá ainda mais dificuldade em conter o desgaste político que já afeta sua base. O desfecho da votação pode redefinir o destino do indicado e representar um revés de grandes proporções para Lula no Senado.
