
A sexta-feira (28) marcou mais um capítulo do que muitos já classificam como clara perseguição política. O ministro Flávio Dino decidiu negar a Paulo Renato de Oliveira Figueiredo, pai do jornalista Paulo Figueiredo, a emissão de um passaporte temporário. O documento havia sido solicitado para que ele pudesse viajar aos Estados Unidos e acompanhar o casamento do filho, marcado para este sábado (29), em Miami. A decisão foi recebida como mais uma ação punitiva direcionada ao entorno de opositores do governo.
Segundo Dino, Paulo Renato “não cumpriu os requisitos” para receber o passaporte emergencial, ainda que o pedido tenha sido apresentado dentro das normas do STF. O documento permanece retido devido a um processo de execução de dívidas no Rio de Janeiro, mas a defesa argumenta que a entrega temporária não causaria qualquer prejuízo, uma vez que o passaporte seria imediatamente devolvido após a viagem. Mesmo assim, o ministro optou pela negativa sem oferecer alternativas.
- Moraes fez questão de citar Lula em decisão sobre Bolsonaro
- Carlos Bolsonaro se desespera nas redes sociais: ‘A família não tem informação há 2 dias’
- Moraes suprimiu o “direito humano” de Bolsonaro previsto no Pacto de San José da Costa Rica
- Influenciadores de direita precisam compreender um vez por todas que o inimigo é a esquerda
- Moraes dá 5 dias a General Heleno
O caso reacende críticas à atuação do Supremo e do próprio Dino, que vem sendo acusado de adotar decisões seletivas e politizadas. Para aliados de Paulo Figueiredo, a resposta do ministro demonstra uma tentativa de constranger e humilhar familiares de opositores, ampliando o alcance da perseguição. A justificativa formalizada pelo gabinete também foi vista como frágil, já que casos semelhantes receberam tratamento mais flexível em outras ocasiões.
A decisão também ressalta o contraste entre o rigor aplicado a figuras associadas à direita e a complacência observada em processos envolvendo aliados do governo Lula. A negativa do passaporte temporário foi interpretada como um gesto calculado, não apenas jurídico, mas político. Críticos afirmam que a decisão expõe o uso do Judiciário como ferramenta para intimidar vozes independentes, atingindo até mesmo terceiros que não possuem atuação pública.
Para muitos observadores, o episódio simboliza a escalada de um ambiente em que decisões judiciais passam a carregar forte componente ideológico. Ao impedir que um pai compareça ao casamento do próprio filho, mesmo em um pedido temporário, o tribunal reforça a percepção de um país dividido entre cidadania plena para uns e rigidez punitiva para outros. A frase que ecoa nas redes resume o sentimento crescente: a perseguição não cessa.
