
O advogado-geral da União Jorge Messias iniciou, ainda no final de 2025, uma série de conversas com senadores com o objetivo de garantir apoio para sua eventual aprovação ao Supremo Tribunal Federal. A estratégia envolve articulações diretas no Senado Federal, onde são necessários pelo menos 41 votos favoráveis para confirmar a indicação.
Dentro desse cenário, o senador Carlos Portinho, líder do Partido Liberal no Senado, reuniu-se com Messias na quarta-feira (15). Apesar do encontro, Portinho deixou claro que mantém posição contrária à indicação. Segundo ele, a conversa seguiu apenas o rito institucional, sem qualquer mudança em seu posicionamento.
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“Eu não tenho como dar meu voto a ele, meu voto é não”, afirmou o parlamentar, reforçando que o partido já fechou questão contra o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Suprema Corte. A bancada do PL soma atualmente 32 senadores entre os 81 membros da Casa.
Portinho também alertou sobre o cenário político delicado, destacando a tensão entre o Congresso Nacional e o STF. Esse ambiente foi intensificado após desdobramentos da CPI do Crime Organizado, que discutiu o indiciamento de ministros da Corte, incluindo Gilmar Mendes.
O episódio ganhou novos contornos quando o próprio Gilmar Mendes solicitou à Procuradoria-Geral da República uma investigação contra o senador Alessandro Vieira, relator da comissão, apontando possível abuso de poder. A situação contribuiu para um clima de reação no Senado, com parlamentares demonstrando preocupação institucional.
Segundo Portinho, esse contexto pode dificultar ainda mais a aprovação de qualquer nome ao STF neste momento. “Ele tem esse outro adversário. O momento é inoportuno para indicação de qualquer membro do STF, em que há ameaça a senadores, o Senado Federal, isso gera um clima de defesa e, até de corporativismo, em defesa do senador Alessandro Vieira. Nós [PL] fechamos questão contra a indicação e ele precisa ter os votos da base do governo. Nós somos 32, dentre 81 senadores. A oposição será oposição”, afirmou Portinho.
A sabatina de Jorge Messias está marcada para o dia 28 de abril no Senado Federal. A aprovação dependerá diretamente da capacidade do governo de consolidar apoio suficiente diante de um cenário político marcado por disputas e desconfiança entre os poderes.
