Ulysses Guimarães, um dos maiores nomes da história política brasileira, já alertava: “Política é nuvem”. A frase nunca pareceu tão atual. O cenário muda rapidamente, alianças se desfazem e antigos heróis passam a ser tratados como problemas.

É exatamente isso que se observa no momento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Antes celebrado pela grande imprensa como o grande “guardião da democracia”, Moraes agora enfrenta críticas abertas dos mesmos veículos que o exaltavam. O contraste é evidente e levanta uma pergunta inevitável: o que mudou?

O epicentro dessa virada está no escândalo do Banco Master, instituição que ruiu em meio a suspeitas de fraudes bilionárias, contratos controversos e decisões que passaram a ser questionadas dentro e fora do Judiciário. A partir desse caso, a blindagem midiática começou a ruir.

A chamada grande mídia, que durante anos endossou decisões duras de Moraes sob o argumento de combate a “ameaças à ordem institucional”, passou a adotar um tom mais crítico, publicando reportagens, análises e questionamentos que antes eram impensáveis. O gesto foi interpretado por muitos como um claro “soltar da mão”.

Essa mudança não parece casual. Ela indica que, quando interesses maiores entram em jogo, o apoio é recalibrado rapidamente. O mesmo sistema que constrói figuras poderosas também sabe, com precisão cirúrgica, quando é hora de se afastar delas.

Se isso representa o início do enfraquecimento real do poder de Alexandre de Moraes ainda é cedo para afirmar. Mas o episódio confirma, com perfeição, a lição de Ulysses Guimarães: na política, nada é permanente. Hoje se está no topo da nuvem; amanhã, ela simplesmente se dissipa.

By Jornal da Direita Online

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