
Depois de ver sua popularidade despencar no primeiro trimestre do ano passado, Lula ganhou um presente de Natal antecipado do governo Trump: o tarifaço e a ameaça ao PIX. O petista surfou na narrativa de “defesa da soberania” e recuperou pontos preciosos de aprovação.
Agora, os petistas querem repetir a fórmula. Viram na decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas uma nova oportunidade de empunhar a bandeira da soberania nacional. No comunicado oficial do Planalto, não faltou nem a menção à “defesa do PIX” contra supostos interesses estrangeiros.
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O problema é que as situações são bem diferentes.
No caso do tarifaço, as principais vítimas eram empresas brasileiras, com risco real de perda de empregos e crescimento econômico. O PIX, por sua vez, é um instrumento extremamente popular entre a população. Agora, as medidas americanas atingem diretamente facções criminosas — algo que a maioria dos brasileiros apoia
.O discurso petista tenta, de todas as formas, vender a ideia de que o endurecimento americano vai enfraquecer o combate ao crime no Brasil. Boa sorte com essa narrativa. O povo brasileiro está exausto de violência e insegurança, e tende a ver com bons olhos qualquer iniciativa — mesmo que vinda de fora — que pareça combater os narco-terroristas.
Lula precisa pisar em ovos. Criticar os EUA nesse tema pode ser facilmente interpretado como defesa indireta das facções. Uma coisa é se posicionar ao lado de empresários contra tarifas. Outra, bem diferente, é ser visto como quem protege criminosos. E é exatamente assim que a oposição vai caracterizar o discurso petista.
Por isso, a única narrativa que tem chance de colar é a da “ameaça ao PIX”.
Aliás, onde estão os caçadores de fake news da imprensa? Por que não colocam o carimbo de “sem provas” na acusação do Planalto de que a medida americana ameaça o PIX?
E o TSE, sempre tão vigilante com a “higidez do processo eleitoral”, por que não reage à acusação de “traição à pátria” feita por Lula contra seu principal adversário?Discurso político faz parte do jogo. Mas, no Brasil, parece que só um lado tem o direito de jogar.
