Rosângela da Silva, conhecida como Janja, tem atuado de forma mais constante no papel de primeira-dama, participando de articulações, acompanhando agendas e sendo presença frequente em palanques, sem ocupar cargo eletivo ou função oficial no Executivo.

Após o primeiro turno das eleições de 2026, em que Luiz Inácio Lula da Silva ficou atrás de Flávio Bolsonaro, relatos de bastidores e avaliações públicas apontam desgaste associado à sua exposição e a declarações que geraram polêmica. A imagem negativa dela chegou a 58% em pesquisas anteriores, e a atuação na campanha reforçou críticas internas no PT.

Petistas e aliados passaram a questionar, em reuniões reservadas, o espaço ocupado por Janja — descrito por alguns como maior, em determinados momentos, que o do vice-presidente Geraldo Alckmin. A ex-senadora Kátia Abreu chegou a defender publicamente “menos Janja e mais Alckmin”, recebendo aplausos. Interlocutores relatam que a primeira-dama atua como filtro de informações ao presidente e influencia prioridades, discursos e a composição de palanques.

Sequência de tropeços diplomáticos e quebra de protocolo

Janja protagoniza episódios de polêmica desde o início do terceiro mandato de Lula

Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, esteve envolvida em diversos episódios que geraram repercussão pública.

Em visita ao barracão da Portela, divulgou imagens da águia — símbolo tradicionalmente revelado apenas no desfile —, o que provocou reação entre sambistas por quebra de tradição; o material foi posteriormente apagado.

No G20 Social, interrompida por um apito de navio, ironizou dizendo “deve ser o Elon Musk” e proferiu um “F* you, Elon Musk”, desviando o foco do evento internacional e recebendo resposta do bilionário. Em outro painel, reagiu de forma ríspida a uma mulher que chamou o festival de música de “Janjapalooza”.

Em encontro com o presidente chinês Xi Jinping, pediu a palavra para falar de supostos danos do TikTok a mulheres e crianças, o que gerou comentários sobre o momento diplomático.

Janja também afirmou que o casal Bolsonaro teria “levado tudo” do Palácio da Alvorada — móveis que depois reapareceram, com o governo condenado a indenizar —, enquanto o governo conduzia reforma do palácio avaliada em mais de R$ 26 milhões.

Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, publicou um vídeo em que aparece dançando na Índia. Sobre o autor do suposto atentado na Praça dos Três Poderes, ela ironizou que “o bestão lá acabou se matando com fogos de artifício”.

Atuação de Janja na campanha de 2026 intensifica debates internos no PT

Na disputa de 2026, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, passou a discursar em comícios, cantar o jingle de tom gospel “Tapete vermelho”, participar de reuniões, fazer observações públicas ao presidente e influenciar a escolha de atrações e estratégias. Relatos apontam que ela centraliza decisões, prepara falas e insiste em agendas com artistas — público já consolidado, segundo avaliações internas. A indicação de nomes para a comunicação digital, como a de Ana Elisa, foi associada a resultados abaixo do esperado nas redes.

Após o resultado do primeiro turno, as críticas se intensificaram nos bastidores. O tema é tratado com cautela no Planalto: interlocutores relatam que questionamentos sobre o espaço ocupado por Janja podem ser interpretados como misoginia. Ainda assim, lideranças admitem, sob reserva, que ela influencia decisões de forma ampla, limita o contato direto do presidente com eleitores sob pretexto de segurança e contribui para uma percepção mais restrita da realidade. Em Minas Gerais, a referência ao deputado Nikolas Ferreira como “piá de bosta” teria gerado reações em parte do eleitorado.

A jornalista e vereadora de Porto Alegre Fernanda Barth descreveu Janja como figura associada a gafes e falas que geram controvérsia. Em entrevista à Revista A Verdade, afirmou que a primeira-dama “não tem noção de institucionalidade de cargo” e busca protagonismo, e que suas mensagens direcionadas a mulheres acabam prejudicando mais a própria imagem do que a de Flávio Bolsonaro. Barth também a classificou como principal filtro de informações de Lula, mantendo-o em uma “bolha” e contribuindo para expectativas que não se confirmaram no primeiro turno.

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By Jornal da Direita Online

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