Jornalista diz que decisões ignoram provas, Constituição e devido processo legal
O jornalista norte-americano Glenn Greenwald fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao comentar a prisão preventiva de Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em publicação feita nesta sexta-feira, 2, Greenwald afirmou que o magistrado age movido por uma perseguição pessoal e classificou a conduta como excessiva e sem base jurídica sólida.

Segundo o jornalista, as medidas adotadas contra Martins revelariam um comportamento reiterado do ministro. “Há muito tempo é óbvio que Alexandre de Moraes tem uma obsessão bizarra por Filipe Martins”, escreveu.

LinkedIn no centro da controvérsia

Greenwald também questionou o episódio que embasou parte da decisão judicial envolvendo o uso do LinkedIn. “Ele o prendeu por supostamente usar o LinkedIn”, afirmou. “Tudo porque um homem ressentido — demitido por Bolsonaro em março de 2019 —, alegou que Martins usou o LinkedIn para ver seu perfil, embora existam muitas maneiras de isso acontecer sem que a pessoa tenha realmente usado a plataforma.”

A referência foi direcionada ao coronel da reserva Ricardo Wagner Roquetti, responsável por denunciar ao STF uma suposta visita de Filipe Martins ao seu perfil na rede social.

Críticas ao sistema político e institucional brasileiro

Além do caso específico, Greenwald ampliou o tom das críticas e direcionou seus comentários ao que chamou de atuação do sistema político e institucional brasileiro. Para o jornalista, houve uma relativização de garantias legais em nome de um objetivo maior.

“A esquerda e grande parte do establishment brasileiro decidiram que prender Bolsonaro e seus principais aliados era uma ‘causa tão nobre’ que nada poderia limitar essa missão: nem a Constituição, nem a lei, nem o devido processo legal, nem as provas”, declarou. “Eles são os mesmos que criaram o monstro tirânico que agora tentam desesperadamente domar.”

Prisão preventiva de Filipe Martins

As declarações de Greenwald ocorreram no mesmo dia em que a Polícia Federal cumpriu a ordem de prisão preventiva de Filipe Martins, determinada por Alexandre de Moraes. O ministro entendeu que o ex-assessor teria descumprido medidas cautelares ao utilizar redes sociais, o que é expressamente proibido pelas decisões judiciais em vigor.

A controvérsia teve origem em uma suposta movimentação registrada no perfil de Martins no LinkedIn. Diante da suspeita, Moraes solicitou esclarecimentos à defesa.

Defesa negou acesso, mas justificativa foi rejeitada

Os advogados de Filipe Martins sustentaram que o acesso ao LinkedIn não foi feito pelo próprio acusado, mas por integrantes da equipe jurídica. A explicação, no entanto, não foi aceita pelo ministro.

Na decisão, Moraes afirmou que “não há qualquer pertinência” na justificativa apresentada e considerou caracterizado o descumprimento das medidas cautelares. Para o magistrado, Martins demonstrou “total desrespeito pelas normas impostas”.

Condenação e transferência para unidade prisional

Filipe Martins já havia sido condenado a 21 anos de prisão no processo que apura a suposta trama golpista, embora a ação ainda não tenha transitado em julgado. Até então, ele cumpria prisão domiciliar, medida adotada para evitar risco de fuga.

Com a nova decisão, o ex-assessor foi transferido para a Cadeia Pública de Ponta Grossa Hildebrando Souza, no interior do Paraná, onde passou a cumprir a prisão preventiva determinada pelo STF.

By Jornal da Direita Online

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