O afundamento do porta-aviões NAe São Paulo, em 2023, não foi apenas o fim de um navio. Foi o símbolo de uma era que se encerrou de forma melancólica para a Marinha e, por extensão, para todas as Forças Armadas brasileiras.

O gigante de 260 metros, capaz de lançar caças A-4 Skyhawk, foi comprado da França em 2000 e representava o orgulho naval da América Latina.

Porém, deteriorado, carregando amianto e sistemas obsoletos, tornou-se um fardo impossível de manter. Sem estaleiros ou portos dispostos a recebê-lo, restou ao Brasil afundar seu próprio porta-aviões no Atlântico. Mas o caso do NAe São Paulo não é isolado.

Assim como o porta-aviões foi sucateado sem substituição, outros equipamentos militares terrestres também tiveram destinos semelhantes.

Tanques de guerra, veículos blindados e munições foram aposentados sem reposição adequada. Infelizmente, não há dados públicos consolidados sobre quantos veículos foram desativados sem substituição — e essa ausência de transparência é, por si só, um sinal da fragilidade da corporação.

Hoje, às Forças Armadas restam tarefas burocráticas ou simbólicas, como pintura de meio-fio e atividades sem relevância estratégica.

Viaturas ficam paradas por falta de combustível, e pequenos barcos que poderiam atender populações em desastres naturais permanecem inoperantes.

Jatos militares carecem de manutenção e modernização e, muitas vezes, a Força Aérea Brasileira (FAB) é subutilizada transportando políticos e autoridades.

Helicópteros que poderiam salvar pessoas não saem do chão, e ainda existe o risco de nem conseguirem pousar de novo.

Nessas situações, de desastres naturais, quem assume o protagonismo é o Corpo de Bombeiros, muitas vezes sem o apoio disciplinado e logístico que deveria vir das Forças Armadas.

No passado, nenhum soldado podia sair às ruas sem sua farda impecável.

Hoje, muitos evitam revelar que são militares. O corte de cabelo tradicional, antes símbolo de disciplina, praticamente desapareceu, numa tentativa de não serem reconhecidos.

O que se vê é um desmonte silencioso: equipamentos sucateados, missões esvaziadas e uma tropa que perdeu o orgulho de se mostrar como parte da defesa nacional.

O afundamento do porta-aviões foi apenas o episódio mais visível de uma crise muito mais profunda.

Jornal da cidade

By Jornal da Direita Online

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