
“O Brasil tem um grande passado pela frente.” Millôr FernandesAlguns enaltecem o famoso “jeitinho brasileiro”. Eu, sinceramente, me sinto como peixe fora d’água, marinheiro em festa estranha, alguém que não é daqui.Essa sensação me invadiu novamente na noite da posse dos novos ministros do TSE, Nunes Marques e André Mendonça.
O que vi foi uma cena insólita e constrangedora: o Presidente da República entrando no evento de mãos dadas com uma Ministra do Supremo Tribunal Federal.Não se trata de uma amiguinha, coleguinha ou encontro casual. Ela é uma Ministra da mais alta Corte de Justiça do país, participando de um evento oficial do Poder Judiciário.
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Ele é o Presidente da República, chefe do Poder Executivo.Enquanto exercem esses cargos, ambos têm o dever de preservar o decoro, a formalidade e a separação mínima entre os Poderes. O que vimos foi exatamente o oposto: intimidade exagerada, gracinhas e uma naturalidade que beira o desrespeito institucional.E ainda por cima, com o pano de fundo da “Miss Ypê chorosa” do momento, aquela que agora pergunta indignada onde o Brasil vai parar porque o povo está bebendo detergente. Que trio mais singular.
É essa gente que nos governa. São eles que decidem nosso destino, que brincam com nossa paciência e ainda exigem respeito e obediência. Olhando para esse espetáculo diário de falta de elegância, de educação e de seriedade, só consigo lamentar: com esse nível de comando, o Brasil realmente não tem futuro.Ai de nós.
