
Vereadores do PL em Canoas (RS) votaram a favor da cassação do mandato do próprio colega de partido, o vereador Ezequiel Vargas. Foi aprovada a abertura da Comissão Processante, que concluiu pela procedência das denúncias contra ele, apesar do fato de ser integrante do mesmo grupo político. A medida reflete um racha interno e uma tentativa de preservar a imagem institucional, mesmo às custas de expor divisões internas.
A denúncia envolve postagens nas redes sociais, feitas no Dia das Mães, consideradas ofensivas, transfóbicas e misóginas. As autoras, incluindo uma militante trans identificada como Ágata Mostardeiro, acusam Vargas de utilizar linguagem ideológica e de inferiorizar mulheres de esquerda. Os ataques teriam sido documentados por prints, ainda que posteriormente removidos da plataforma.
O processo foi aprovado por 14 dos 21 vereadores, o que garante a instalação formal da investigação. Inclusivamente, dois vereadores do PL votaram a favor da cassação, sinalizando desaprovação ao estilo de atuação do colega. A comissão tem até 18 de agosto para ouvir testemunhas, coletar provas e emitir parecer final.
Em defesa do vereador, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) gravou vídeo criticando o que considera uma perseguição política. Nikolas defendeu a manifestação como “provocação legítima” e advertiu que o precedente pode silenciar toda a direita: “amanhã pode ser qualquer parlamentar”. Sua fala tem circulação intensa entre conservadores, que enxergam censura ideológica.
O episódio evidencia uma tensão interna na direita: por um lado, busca-se manter firmeza contra discursos considerados inadequados; por outro, há quem lance mão da imunidade parlamentar para justificar declarações ideológicas ofensivas. A neutralidade partidária se rompe quando membros decidem julgar publicamente posturas internas, criando divisão ao invés de unidade.