
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo que a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 teria sido garantida caso ele tivesse sido mantido como candidato a vice-presidente. Segundo ele, sua retirada da chapa presidencial comprometeu o resultado final da disputa.
Mourão destacou que após a decisão de substituí-lo por Walter Braga Netto, Bolsonaro passou a excluí-lo de reuniões ministeriais e de decisões estratégicas do governo. O senador acredita que sua permanência teria assegurado o êxito eleitoral e evitado parte dos problemas jurídicos enfrentados atualmente pelo ex-presidente e seus aliados mais próximos.
Em tom de crítica sutil, Mourão relembrou o isolamento político que sofreu após o afastamento: “Ele deixou de me chamar para reunião ministerial, eu não participei de mais nada”, disse. Para o ex-vice, o resultado da eleição poderia ter sido outro com sua experiência e articulação política. “Nós teríamos ganho”, cravou o senador, com segurança.
Mourão ainda ironizou os desdobramentos da derrota, que envolveram acusações de “tentativa de golpe de Estado” e medidas judiciais absurdas contra Bolsonaro. “Se tivéssemos vencido, não teria acontecido nada, estava todo mundo feliz da vida, pô”, disse. A fala revela o tom crítico de quem viu de dentro os erros da campanha petista de perseguição judicial pós-eleitoral.
A declaração escancara os bastidores do racha interno no bolsonarismo durante a campanha de 2022. A substituição de Mourão, que possuía um perfil técnico e respeitado nas Forças Armadas, por um nome mais combativo, foi vista por muitos como uma manobra que desagradou parte da base conservadora moderada. Mourão parece ter dado o recado.
Com a oposição em guerra aberta contra Bolsonaro, o próprio Mourão evita entrar na linha de fogo. Mas a entrevista mostra claramente seu arrependimento com a ruptura e a convicção de que a esquerda jamais teria voltado ao poder se ele tivesse seguido ao lado do capitão.