
O desespero já não cabe no Palácio do Planalto. Transborda por todos os cantos do país. À vista de todos, o governo recorre a tudo, inclusive a infrações eleitorais — e, acreditem, encontra amparo na própria Justiça: na mais alta Corte, o STF, e no tribunal eleitoral, o TSE.
Todos viram o ministro Gilmar Mendes fazer vista grossa ao reajuste de 15% do Bolsa Família, por exemplo. Todos sabem que o ministro Flávio Dino concentrou o Congresso nas próprias mãos com as emendas parlamentares e, a bel-prazer, atinge adversários políticos.
Há pouco, o governo fez de tudo para dobrar o Congresso e aprovar o fim da escala 6×1, a PEC 221/2019. No terreno eleitoral, deu com os burros n’água.
Em plena reta final de campanha, a nove dias da eleição, o governo age de forma oportunista e mentirosa — não necessariamente nessa ordem, mas fundidas pelo desespero.
No mesmo dia, duas manobras puramente interesseiras.
Na primeira, tentou cravar uma mentira deslavada contra Flávio Bolsonaro, dizendo que ele quer cassar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Nossa Senhora Aparecida é padroeira do país desde 1930, quando o papa Pio XI assinou o decreto que a oficializou como Padroeira Principal da nação.
Na segunda, creiam, por medida provisória, proíbe o funcionamento das bets no Brasil. O impacto será enorme na economia e nos envolvidos (não nos usuários), pelo modo açodado da medida. Usou o mesmo expediente sorrateiro com que extinguiu, agora em setembro, a chamada Taxa das Blusinhas. Nos dois casos, foi este governo que votou a favor do imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 (2024) e que aprovou e regulamentou as bets no Brasil (2023). Depois de arrecadar R$ 9 bilhões com as blusinhas e R$ 20 bilhões com as bets, o oportunismo eleitoreiro passou como um trator sobre o eleitor desavisado.
Tudo isso agitou o país, de norte a sul, e consolidou a percepção coletiva do engodo eleitoral e governamental — prática habitual desses gestores —, do cidadão mais humilde às associações e entidades de várias áreas, até a imprensa, deixando claro que este governo já ultrapassou a desconfiança da sociedade e flerta com a derrota ainda no primeiro turno. Isso tem nome: DESESPERO.

Um bom exemplo dessa leitura é a nota que a Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes no Brasil, divulgou nesta sexta-feira.
Leia:
Abrasel considera tardio e eleitoreiro o pacote do governo contra as bets
A Abrasel avalia que pacote de medidas contra as apostas online anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25) chega de afogadilho e pode trazer insegurança a quem empreende no Brasil
A Abrasel e outras entidades do comércio e dos serviços pediram providências contra os efeitos das bets sobre o orçamento das famílias. Projetos de leis foram elaborados e enviados ao Congresso Nacional, mas nunca tiveram o apoio e a atenção necessários por parte do governo.
As medidas defendidas tratavam a publicidade das apostas como já se trata a de cigarros e de outros produtos nocivos à saúde. “Há muito defendemos restrições às propagandas das bets, a exemplo do que temos para os produtos nocivos à saúde como os cigarros. Lamentável que o governo tenha demorado tanto para agir e que só o tenha feito em função das dificuldades eleitorais de momento. Se houvesse agido tempestivamente e com antecipação, não estaríamos vivendo este drama que traz prejuízos aos indivíduos, às suas famílias, às empresas e ao país”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
O governo preferiu interromper de forma abrupta uma atividade autorizada e regulamentada no país. Para a Abrasel, a decisão tomada desse jeito gera enorme insegurança para quem empreende no Brasil. Qualquer negócio passa a correr o risco de acabar da noite para o dia com uma canetada do presidente.
“São novamente interesses puramente eleitorais açodados que trazem enorme prejuízo e insegurança aos envolvidos”, diz Solmucci.
“A medida contra as bets é eleitoreira e se equipara, no processo decisório, à proibição da escala 6×1. O mesmo presidente que tolerou as bets até agora, em dezembro não apoiava o fim da escala 6×1. Nos dois casos, o cálculo das urnas se sobrepõe ao impacto sobre a sociedade e economia como um todo”
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