
Partidos que compõem a federação formada por Partido dos Trabalhadores, Partido Verde e Partido Comunista do Brasil acionaram o Tribunal Superior Eleitoral com o objetivo de suspender perfis ligados à personagem virtual conhecida como “Dona Maria”. A iniciativa judicial foi protocolada na última quarta-feira (22) e mira conteúdos que vêm se espalhando rapidamente nas redes sociais.
A personagem “Dona Maria” foi criada com o uso de inteligência artificial e aparece como uma mulher idosa, com características geradas digitalmente. Segundo os autores da ação, o principal problema estaria na ausência, em diversos conteúdos, de uma identificação clara de que se trata de uma criação artificial, o que poderia levar usuários a acreditarem que se trata de uma pessoa real.
De acordo com o documento apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, os perfis estão ativos em plataformas como Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X. A federação argumenta que o conteúdo divulgado pode induzir o público ao erro, ao misturar linguagem pessoal com mensagens de cunho político.
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No pedido, os partidos afirmam que a personagem estaria sendo utilizada como ferramenta de comunicação política, com potencial de influenciar a opinião pública. O texto menciona ainda a possibilidade de divulgação de informações consideradas inverídicas, além de críticas direcionadas a determinados grupos e elogios a outros, o que reforça o caráter estratégico da atuação digital.
O criador da personagem, Daniel Cristiano, reagiu publicamente à ação. Em suas declarações, ele criticou a iniciativa judicial e classificou a medida como exagerada, sinalizando que pretende continuar defendendo o projeto e sua atuação nas plataformas digitais.
Em termos de alcance, os números chamam atenção. Uma das contas vinculadas à personagem no Instagram já ultrapassa a marca de 730 mil seguidores, enquanto o canal correspondente no YouTube soma mais de 28 mil inscritos. O caso levanta um debate mais amplo sobre o uso de inteligência artificial na comunicação política e os limites entre liberdade de expressão, transparência e regulação nas redes sociais.
