
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, rejeitou os slides preparados pela defesa de Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, para o julgamento do núcleo 2 da investigação sobre suposta tentativa de golpe.
A decisão foi comunicada à defesa neste sábado, com a exigência de que um novo material seja entregue até as 15h de segunda-feira. Moraes afirmou que os slides continham documentos e imagens que não fazem parte dos autos e, por isso, seriam inadequados para apresentação.
A defesa reagiu imediatamente. Em nota, acusou o ministro de exercer uma “tutela indevida da advocacia”, já que, segundo os advogados, o pedido de envio antecipado seria, na prática, uma forma de censurar previamente a estratégia jurídica antes da sustentação oral. Os advogados anunciaram que pretendem recorrer à OAB e protocolar novamente o material original, mesmo após a rejeição. Para eles, a postura de Moraes extrapola sua competência no processo.
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Apesar de impedir o uso do material apresentado pela equipe de Martins, Moraes autorizou os slides enviados pelas defesas de Mário Fernandes e Marília Ferreira de Alencar, que serão usados normalmente no julgamento. A diferença de critérios reforçou críticas de que há um tratamento desigual entre os réus, algo frequentemente apontado por parlamentares e juristas inconformados com a condução dos casos ligados ao 8 de Janeiro.
A decisão ocorre a poucos dias do julgamento, marcado para terça-feira (9), aumentando ainda mais a tensão em torno do caso. O núcleo em questão trata dos investigados que, segundo a acusação, teriam atuado na articulação de uma tentativa de golpe. Para a defesa de Martins, entretanto, o cerceamento do material de apresentação evidencia novamente uma condução politizada e restritiva do processo dentro da Corte.
O episódio reforça o clima de desconfiança que domina os julgamentos relacionados ao 8 de Janeiro, especialmente diante de decisões que limitam a atuação das defesas enquanto ampliam o poder do relator. A rejeição seletiva de slides reacendeu críticas sobre falta de isonomia, transparência e segurança jurídica no Supremo.
