
O voto do ministro Kassio Nunes Marques pela manutenção do afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal fortaleceu o grupo ligado a André Mendonça e provocou apreensão no governo Lula e entre pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes.
Nunes Marques e Mendonça são os dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora já tenham adotado posições diferentes em julgamentos relevantes, os dois magistrados vêm demonstrando maior convergência nos últimos meses. Por isso, o caso envolvendo o afastamento de Andrei passou a ser observado como um importante teste para medir o grau de alinhamento entre ambos.
Mendonça, que ocupa a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem respaldado a atuação de Nunes Marques na condução da Justiça Eleitoral. Paralelamente, Nunes Marques tem apoiado Mendonça em decisões relevantes relacionadas ao caso Master.
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A rapidez com que Nunes Marques se posicionou a favor da manutenção do afastamento foi interpretada por aliados de Mendonça como uma possível demonstração de confiança entre os dois ministros. Apesar disso, ainda não está claro como o magistrado deverá votar em relação ao pedido de investigação envolvendo Moraes.
A posição de Nunes Marques pode ser decisiva no embate entre os ministros. Com o apoio demonstrado no caso de Andrei Rodrigues, Mendonça passa a ter, na avaliação de aliados, maior possibilidade de reunir votos para prevalecer em questões relacionadas aos casos Master e INSS.
No governo Lula e entre pessoas próximas a Moraes, porém, o movimento foi recebido com preocupação. Uma das avaliações é de que, mesmo diante de pressões para que adotasse uma postura contrária a investigações envolvendo integrantes da própria Corte, Nunes Marques vem sinalizando que pretende preservar sua estratégia de aproximação e alinhamento com Mendonça.
Se o presidente do STF, Edson Fachin, levar o caso ao plenário, Kassio Nunes Marques terá de se manifestar sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes. A discussão envolve um relatório da Polícia Federal que aponta que o ministro recebeu mais de 50 mensagens de Vorcaro, algumas delas com consultas sobre uma possível fuga do Brasil.
O mesmo documento aponta ainda que Moraes teria editado o contrato de R$ 131 milhões firmado pela mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.
Jornal da cidade
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