
O humor, em muitos momentos, consegue cumprir uma função que a política tradicional já não alcança: romper bolhas. Foi exatamente isso que aconteceu nesta semana com o comediante Murilo Couto, após apresentar em um de seus shows uma música criada depois que o senador Flávio Bolsonaro passou a segui-lo no Instagram.
O que começou como uma piada típica do stand-up, explorando o absurdo da situação e a ironia do cotidiano digital, ganhou proporções inesperadas. Um trecho do show começou a circular nas redes sociais, viralizou rapidamente e, em poucos dias, transformou-se em um verdadeiro hit entre apoiadores do bolsonarismo.
- Pesquisas mostram que Lula inicia corrida eleitoral da pior forma dos últimos 16 anos
- URGENTE: Situação de Bolsonaro pode levá-lo à morte súbita, diz PF
- Nova bomba no colo de Lewandowski: Compra de mansão de homem suspeito de envolvimento com o PCC (veja o vídeo)
- “Meu Amigo Flávio”: quando o humor atravessa bolhas e vira fenômeno político (veja o vídeo)
- Michelle divulga uma carta escrita por Jair Bolsonaro no aniversário de 18 anos de casamento
A canção, apelidada informalmente de “Meu Amigo Flávio”, passou a ser compartilhada em perfis conservadores, grupos de WhatsApp e páginas políticas, recebendo uma acolhida entusiasmada. O detalhe mais curioso é que o humor não era panfletário nem militante. Pelo contrário: o tom leve, irônico e aparentemente despretensioso foi justamente o que permitiu que a música encontrasse eco fora do circuito tradicional da direita.
Esse episódio revela algo maior do que um simples viral. Ele escancara como cultura pop, humor, entretenimento e redes sociais se tornaram peças centrais da disputa simbólica no Brasil. Enquanto discursos políticos formais encontram rejeição imediata fora de suas bolhas ideológicas, uma piada bem construída consegue circular livremente, gerar identificação e despertar curiosidade até em públicos historicamente resistentes.
Outro ponto relevante é o perfil de Murilo Couto. Conhecido por um humor ácido, irreverente e frequentemente crítico, o comediante nunca foi rotulado como porta-voz de um campo político específico. Isso impediu uma rejeição automática por setores da esquerda e permitiu que a música “furasse a bolha”, alcançando públicos diversos — algo cada vez mais raro em um ambiente de polarização extrema.
Para apoiadores de Bolsonaro, o episódio foi rapidamente apropriado como um símbolo cultural, quase um troféu: um artista popular produzindo, ainda que involuntariamente, conteúdo que dialoga com seu universo político. Para a esquerda, o sucesso da música acendeu um alerta desconfortável sobre como o humor pode driblar filtros ideológicos e ocupar espaços onde o discurso tradicional já não consegue entrar.
No fim, “Meu Amigo Flávio” é mais do que uma piada musical. É um retrato do Brasil hiperconectado, polarizado e, ao mesmo tempo, surpreendentemente permeável quando a linguagem certa é utilizada. Em tempos de radicalização, o riso mostra seu poder: não necessariamente para convencer, mas para atravessar, desarmar e, sobretudo, circular.
Se a política insiste em falar apenas para os seus, o humor segue fazendo aquilo que sempre fez de melhor: falando com todos.
Veja o vídeo:
