
A federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), deve formalizar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. As duas legendas planejam um evento na quarta-feira, 7, em Brasília, para anunciar a decisão ao lado do candidato.
A definição formal está prevista para esta terça-feira, 6, quando os partidos se reúnem em Brasília. A tendência de adesão a Flávio já vinha sendo apontada nos últimos dias, mas a confirmação depende da posição conjunta das duas siglas, que integram a mesma federação.
No PP, foram convocados para a reunião integrantes da bancada de deputados federais, senadores e representantes dos diretórios estaduais. O presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira, já declarou publicamente a intenção de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
No União Brasil, o presidente nacional Antonio Rueda também trabalha com a possibilidade de aliança com o candidato do PL. Como União Brasil e PP estão reunidos na Federação União Progressista, o posicionamento nacional precisa ser decidido em conjunto.
Se a aprovação ocorrer nas reuniões desta terça-feira, às 16h, a expectativa é que o anúncio oficial saia na quarta-feira, na sede do União Brasil, com a presença de Flávio Bolsonaro.
As conversas entre o candidato do PL e os dirigentes das duas legendas começaram antes mesmo do fim do primeiro turno. Flávio manteve contato com Ciro Nogueira e Antonio Rueda, enquanto a federação aguardava o resultado das urnas para avaliar a viabilidade de uma aliança.
O desempenho de Flávio no primeiro turno e a nova composição do Congresso aceleraram as tratativas. O candidato encerrou a primeira etapa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a direita ampliou a presença no Legislativo.
Apesar da tendência de apoio nacional ao candidato do PL, a federação ainda enfrenta divergências internas. Diretórios do Nordeste manifestaram resistência à aliança, e há integrantes que preferem Lula. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por exemplo, sinalizou a interlocutores que pretende seguir apoiando o petista.
A possível adesão a Flávio também ocorre num cenário de desgaste entre os presidentes nacionais do PP e do União Brasil e o governo Lula. Ciro Nogueira acumulou divergências com o presidente durante a campanha, sobretudo depois de Lula apoiar Júlio César (PSD) na disputa ao Senado no Piauí, enquanto Ciro buscava a reeleição.
Numa visita ao estado, Lula afirmou que precisava de parlamentares “leais”, sem “vira-latas” ao seu lado. A fala foi lida por aliados de Ciro como referência ao senador. O episódio ocorreu em meio ao rompimento de um entendimento que havia contribuído para a neutralidade do PP na disputa presidencial no primeiro turno.
Antonio Rueda, por sua vez, também acumulou divergências com Lula. Entre os episódios citados está uma declaração do presidente numa reunião ministerial, quando afirmou que não gostava do dirigente do União Brasil e que sabia que o sentimento era recíproco.
A decisão da federação deverá ser acompanhada de perto por outros partidos do chamado centrão, já que o posicionamento de União Brasil e PP pode influenciar as negociações do segundo turno e a formação de alianças para o próximo governo.
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