
O jornal O Globo revelou “ameaças” de ministros do STF diante da chance concreta de impeachment de magistrados com o novo Senado a partir de 2027.
Eis o que relata o artigo da colunista Bela Megale:
Ministros do Supremo têm discutido estratégias diante da eleição de senadores que formam uma bancada com forte probabilidade de instaurar impeachment de integrantes da Corte e tentar reduzir o alcance do tribunal.
A leitura de quatro magistrados à coluna é que existem dois caminhos. Um seria buscar diálogo com correligionários do PL que não são enquadrados na ala radical, aquela que faz do ataque ao STF uma bandeira.
A avaliação é que, embora todos os senadores eleitos da extrema direita tenham feito campanha criticando o tribunal, ainda haveria margem para conversa com parte desses parlamentares. Entre os eleitos citados nominalmente pelos ministros estão Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul, e Eduardo Gomes, do Tocantins.
A outra frente envolve parlamentares sob investigação da Polícia Federal em inquéritos relatados no STF. É o caso do senador do PL eleito pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy, investigado por suposto desvio de cotas parlamentares, e do senador e ex-governador eleito pelo Mato Grosso, Mauro Mendes, também investigado por desvios de recursos estaduais ligados a uma empresa de telefonia.
Ministros disseram à coluna que as apurações em curso podem avançar antes mesmo da posse dos senadores eleitos. Com os inquéritos sob relatoria do STF, integrantes da Corte avaliam que quem enfrenta situação delicada na Justiça não vai querer aumentar a aposta no impeachment de ministros.
— A valentia vai até a página dois — afirmou um magistrado à coluna.
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