O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (10), que não está interessado na redução de penas dos presos do 8 de janeiro, mas, sim, em uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. A declaração – dada durante um almoço organizado por um grupo de advogados de direita – se insere em um contexto no qual o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem se articulado com o Executivo e o Supremo Tribunal Federal (STF) na busca de um acordo para revisão das penas dos condenados pelaos Poderes.
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Bolsonaro se reuniu nesta quarta (9) com Motta para tratar do tema. O presidente da Câmara abordou o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante recente viagem ao Japão e já conversou com pelo menos cinco ministros da Corte: Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Motta resiste à pressão de parlamentares para pautar o projeto de anistia na Câmara e virou alvo na manifestação liderada pelo ex-presidente no último domingo (6), na Avenida Paulista. O deputado tem feito apelos para a “pacificação nacional”, dizendo que sua responsabilidade é a de não aumentar “uma crise institucional”.
Para Bolsonaro, houve um “ponto de inflexão” na articulação pela anistia com o voto do ministro Luiz Fux no julgamento que o tornou réu no Supremo por suposta tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Na sessão, Fux falou da possibilidade de as penas serem reduzidas. – Agora, tivemos um ponto de inflexão. Enchendo a bola da minha esposa aqui, que falou muito bem na Paulista, dirigindo-se ao ministro Fux. Ali, no meu entender, foi uma fissura que apareceu. Um outro lado que parecia impossível. A modulação não nos interessa. Redução de penas não nos interessa. O que nos interessa, sim, é anistia ampla, geral e irrestrita – afirmou Bolsonaro durante o almoço.
O político conservador se referiu ao discurso de Michelle Bolsonaro (PL) durante o ato em São Paulo. A ex-primeira-dama disse que ministros do Supremo têm agido com injustiça ao definir as penas e pediu a Fux que não deixasse “mães” na cadeia. Na agenda com advogados – um encontro fechado -, Bolsonaro também afirmou que a bancada do PL está muito próxima do número mínimo de assinaturas para o requerimento de urgência com o objetivo de votar o projeto da anistia em plenário.
A assessoria do presidente da Câmara confirmou a reunião entre Bolsonaro e Motta nesta quarta. O encontro não estava na agenda oficial do parlamentar. Na reunião, o líder conservador fez um apelo ao presidente da Câmara.
Bolsonaro também amenizou as críticas do pastor Silas Malafaia ao parlamentar. Segundo o ex-presidente, por não conhecer o funcionamento do Congresso Nacional, o pastor não entende que “não dá para resolver na pancada”.
*AE

