
Tem algo curioso acontecendo: parte do próprio campo conservador resolveu mirar fogo amigo como se isso fosse prova de coerência. Criticam o governador com maior capilaridade eleitoral, atacam o deputado mais votado de Minas e desconfiam da maior liderança feminina evangélica do país. É uma espécie de purismo estratégico que ignora o básico: eleição se vence ampliando, não reduzindo.
Minas Gerais não é figurante. Minas costuma decidir o jogo. Criar ruído justamente onde se precisa de unidade é uma aposta arriscada. Política é construção de maioria, não campeonato de pureza ideológica. Quem transforma divergência tática em traição estratégica pode estar confundindo firmeza com imprudência.
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Sobre a cobrança de que “não postam o suficiente” ou que “não demonstram lealdade pública o tempo todo”, vale lembrar: política não é reality show. Nem toda articulação acontece em rede social. Nem todo apoio se mede por número de publicações. Às vezes, o que parece silêncio é apenas cálculo.
E quanto ao discurso de que é melhor “perder de pé”, há uma pergunta incômoda: perder resolve alguma coisa? Estratégia que leva ao isolamento dificilmente produz vitória. Em disputas acirradas, quem escolhe brigar internamente antes de consolidar alianças externas costuma descobrir tarde demais que enfraqueceu o próprio campo.
No fim das contas, coerência é importante. Mas estratégia é indispensável. Sem coordenação, sem soma e sem visão de longo prazo, qualquer projeto político corre o risco de virar apenas uma bandeira bonita tremulando num terreno vazio.
