
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe à tona um detalhe que o governo talvez preferisse manter em segundo plano: ele é sócio fundador do grupo Prerrogativas, coletivo de advogados que atuou ativamente para derrubar a Lava Jato e garantir a libertação de Lula. O grupo, apelidado de “Prerrô”, celebra agora o auge do seu projeto político com a possível ascensão de um dos seus à mais alta Corte do país. Para críticos, trata-se da coroação perfeita de anos de militância jurídica.
Reportagem do Estadão relembrou que o grupo já acumulou algumas “baixas” ao longo do caminho. Entre elas, um ex-presidente dos Correios envolvido no afundamento da estatal e o ministro Silvio Almeida, cuja gestão enfrenta desgastes. Mesmo assim, o Prerrogativas manteve forte influência política, especialmente após a volta de Lula ao poder, consolidando espaço nos debates jurídicos e nas articulações de bastidores.
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Uma professora da PUC-RJ, também integrante do Prerrô, exaltou Messias e afirmou que ele “tem tudo de bom”: defenderia direitos trabalhistas, o chamado garantismo penal e até “liberdade religiosa”. A fala, porém, soou mais como discurso ensaiado do que como convicção genuína — especialmente por vir de um grupo historicamente associado à militância ideológica de esquerda. A narrativa busca suavizar resistências e construir uma imagem moderada do indicado.
Com a indicação pronta para ser votada pelo Senado, Messias é visto por muitos como mais um nome alinhado aos interesses de advogados criminalistas e defensores da flexibilização penal. A recepção entusiástica de figuras como Kakay, um dos mais conhecidos nomes da advocacia criminal brasileira, reforça essa percepção. Para especialistas, a tendência é de que Messias fortaleça o campo garantista dentro do STF, ampliando a resistência a operações de combate à corrupção.
Na prática, a indicação do novo ministro reforça a proximidade do governo com setores jurídicos que sempre atuaram contra investigações de alta complexidade, como a Lava Jato. Para críticos, o STF vai se enchendo de aliados de Lula em momentos decisivos, agravando a sensação de desequilíbrio institucional. A possível aprovação de Messias no Senado pode aprofundar essa leitura e abrir novo ciclo de tensões entre Congresso, Corte e opinião pública.
