
Treze ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram se manifestar diante da crise que envolve a Corte e enviaram uma carta ao presidente do tribunal, Edson Fachin, pedindo uma resposta institucional urgente. No documento, eles classificam o momento como “a mais aguda crise” da história do STF e defendem que os fatos sejam apurados formalmente.
A carta não cita nominalmente Alexandre de Moraes ou André Mendonça, mas foi divulgada em meio ao confronto entre os dois ministros, que se intensificou após a divulgação de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e aos desdobramentos envolvendo relatórios da Polícia Federal. Os signatários pedem que Fachin convoque, com urgência, uma sessão pública do plenário para que o próprio STF determine uma “imediata e rigorosa apuração”, respeitando o devido processo legal.
Entre os nomes que assinam o documento estão Celso de Mello, Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Ellen Gracie, Ayres Britto, Cezar Peluso, Nelson Jobim, Carlos Velloso e Eros Grau, além de outros ex-integrantes da Corte. A manifestação reúne, portanto, antigos presidentes e ministros que participaram de diferentes períodos da história do Supremo.
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Os ex-ministros também manifestaram confiança na condução de Fachin e disseram acreditar que o atual presidente do STF terá firmeza para enfrentar a situação. A preocupação expressa na carta vai além de um conflito entre dois ministros: segundo o documento, a divulgação dos fatos estaria atingindo o prestígio e a autoridade do tribunal, a confiança da população e até a estabilidade das instituições democráticas.
A iniciativa ocorre no mesmo momento em que a crise ganhou novos capítulos. Nesta terça-feira (8), André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A Segunda Turma do STF posteriormente formou maioria para manter o afastamento, mas Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento.
Um detalhe importante é que nem todos os ex-ministros aderiram ao manifesto. Luís Roberto Barroso, que deixou o STF em 2025, explicou que não assinou por manter relações pessoais com os atuais integrantes da Corte e preferir contribuir internamente para uma solução. Ricardo Lewandowski também não assinou o documento.
Assim, o fato novo é significativo: 13 antigos integrantes do STF estão cobrando publicamente que a atual composição da Corte não deixe a crise sem uma apuração formal e transparente. A carta não acusa diretamente Moraes ou Mendonça de irregularidades, mas aumenta a pressão sobre Fachin para que o plenário trate institucionalmente dos fatos que provocaram o atual confronto dentro do Supremo.
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