
A identidade de quem comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um suposto descumprimento de medidas cautelares por parte de Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro, acabou vazando após a divulgação de um despacho oficial. O episódio reacendeu debates sobre sigilo, procedimentos internos e a condução das investigações.
O vazamento ocorreu porque o e-mail enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes foi anexado integralmente ao processo, revelando o nome do autor da denúncia. O remetente havia solicitado expressamente que sua identidade fosse mantida sob sigilo.
Segundo o documento que se tornou público, o e-mail foi assinado pelo coronel aviador da reserva Ricardo Wagner Roquetti. Ele informou ter percebido atividade no LinkedIn atribuída ao perfil de Filipe Martins, o que violaria a proibição de acessar redes sociais enquanto o ex-assessor cumpria medidas restritivas.
A mensagem enviada ao STF afirmava que Roquetti não possuía qualquer relação com Martins que justificasse a visualização de seu perfil, motivo pelo qual interpretou a interação como uso indevido da rede social. Com base na denúncia, Moraes determinou a prisão preventiva de Martins sob o argumento de descumprimento das condições impostas anteriormente.
O vazamento da identidade do autor do alerta provocou repercussão imediata entre apoiadores e críticos de Martins. Enquanto setores afirmam que o episódio expõe fragilidades de proteção a denunciantes, outros argumentam que o procedimento judicial exige transparência na tramitação dos documentos anexados ao processo.
A defesa de Filipe Martins contesta o entendimento do STF sobre o uso da rede social e afirma que irá recorrer da decisão. O caso segue em análise.
