
Em meio a especulações sobre uma possível candidatura à Presidência da República em 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), publicou nesta quinta-feira (25) uma declaração direta: vai disputar a reeleição no estado e seguirá trabalhando por “uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder”.
O comunicado foi publicado nas redes sociais e tem efeitos imediatos no xadrez político nacional. Tarcísio encerra, ao menos por ora, a tese de que poderia ser o nome “mais viável” da direita para suceder Jair Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Com isso, também esfria a disputa interna entre alas da oposição que já ventilavam sua saída do governo paulista como peça-chave para uma candidatura de centro-direita mais palatável ao eleitorado moderado.
Além de reafirmar o foco estadual, Tarcísio fez questão de sinalizar lealdade explícita a Bolsonaro: “Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira, para prestar meu total apoio e solidariedade”, escreveu. A declaração chega no momento em que o ex-presidente enfrenta nova pressão judicial e política, e a direita busca reforçar sua coesão em meio às incertezas jurídicas que rondam seu principal líder.
Aliado estratégico de Bolsonaro desde sua gestão como ministro da Infraestrutura, Tarcísio vinha sendo cortejado por diferentes grupos de oposição para disputar o Planalto. Sua postura mais técnica e de menor desgaste eleitoral em comparação com outros nomes da direita o colocava como opção de “transição” no projeto conservador nacional.
Ao optar pela reeleição, Tarcísio envia um recado claro: vai consolidar seu projeto em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e não romperá com a base bolsonarista que o elegeu. A decisão também fortalece o PL no estado e alinha o discurso conservador num momento em que o campo da direita tenta evitar divisões internas.
Internamente, a escolha evita que Tarcísio se desgaste antecipadamente no cenário nacional, onde a polarização tende a se acirrar. No campo da esquerda, o governo Lula já analisa cenários eleitorais em que Tarcísio, consolidado no maior estado da federação, se tornaria ainda mais influente em 2030, caso reeleito em 2026.
Impacto nacional
Com Tarcísio fora da disputa presidencial, a oposição terá de recalibrar sua estratégia nacional. Figuras como Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Tarcísio, Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado agora se destacam no radar como possíveis pré-candidatos ao Planalto. A visita do governador ao ex-presidente, na próxima semana, também será analisada como parte do movimento de articulação da direita para demonstrar união pública e rechaçar rumores de divisão.
Ao cravar sua permanência em São Paulo, Tarcísio fortalece o bolsonarismo no eixo paulista e confirma que, pelo menos até 2026, sua prioridade será consolidar o domínio conservador no estado mais estratégico do país — sem abrir flancos para a esquerda, mas também sem atropelar a liderança de Bolsonaro no campo da direita.
