
O Judiciário “operou muito nos bastidores” para impedir que os partidos do Centrão – nomeadamente União Brasil, PP e Republicanos – apoiassem a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o jornalista da CNN Brasil Caio Junqueira disse num programa da emissora.
De acordo com ele, caciques das legendas foram avisados por ministros do Supremo e outros juízes que, se apoiassem a candidatura do 01, as investigações que correm contra eles na Corte avançariam com mais celeridade, principalmente as ligadas ao escândalo do Banco Master.
Finalizadas as convenções partidárias, os três partidos acabaram declarando neutralidade na eleição presidencial, mesmo com afinidades claras com a chapa bolsonarista.
Um exemplo disso é o comportamento do PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira. Ministro e aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, Ciro era um candidato natural à vice-presidência de Flávio até sua relação problemática com Daniel Vorcaro se tornar pública.

No fim das contas, o senador não só se retirou da disputa como também vetou uma composição entre o 01 e a senadora Tereza Cristina, também do PP.
Flávio chegou a anunciar que a ex-ministra de seu pai havia aceitado o convite para ser sua vice, mas precisou recuar diante do cavalo-de-pau de Ciro.
O PL acabou registrando uma chapa pura, com o deputado federal e ex-promotor de Justiça Alfredo Gaspar como candidato a vice.
Junqueira, da CNN Brasil, fez o comentário durante o WW Talks, um programa da emissora com William Waack.
O jornalista disse que a pressão do STF está relacionada ao fato de que a eleição deste ano vai decidir o futuro da Corte, já que o próximo Presidente vai indicar quatro ministros ao Tribunal – e dado que um Senado mais conservador pode colocar em votação o impeachment de ministros do Supremo.

Além da vaga que se abriu com a saída de Luís Roberto Barroso no ano passado e ainda não foi ocupada, os ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes e Carmen Lúcia deixarão a Corte em 2028, 2029 e 2030, respectivamente.
Com tantas indicações, o Presidente poderá influir no balanço ideológico do STF e formar maioria no plenário do Tribunal para permitir a investigação de um dos ministros da Corte.
Alexandre de Moraes, também implicado no Caso Master, seria um dos principais interessados em pressionar o Centrão. “Ele sabe que se o Lula perder a chance dele cair aumenta,” disse Junqueira.
O jornalista afirma, por outro lado, ter dúvidas de que Flávio avançaria com a pauta de impeachment contra o Supremo.
“Em 2018, o Jair Bolsonaro foi eleito sob a bandeira da CPI da Lava Toga, e foi o Flávio que barrou o avanço das investigações,” disse. Na época, o 01 era acusado de desvio de verba parlamentar, a famosa “rachadinha”.Matheus Prado,
Brasil Journal
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