
A jornalista Malu Gaspar revelou que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estariam atuando nos bastidores para barrar a instalação da CPMI do Banco Master, pressionando integrantes do Senado, em especial o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo o artigo, o receio dos magistrados estaria ligado ao fato de que eles próprios e familiares mantêm conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A abertura de uma CPMI no Congresso criaria uma nova frente de investigação, com potencial de expor relações sensíveis e ampliar o desgaste institucional do Supremo.
A existência dessa pressão foi confirmada à coluna por três fontes que acompanham de perto as articulações, incluindo interlocutores diretos de Alcolumbre e membros do próprio Senado. Procurados, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli optaram por não se manifestar.
O pedido de criação da CPMI foi protocolado na terça-feira (3) com 281 assinaturas, sendo 42 senadores e 239 deputados, número bem superior ao mínimo constitucional exigido. O PL, partido de Jair Bolsonaro, foi a legenda que mais contribuiu, com 89 assinaturas.
De acordo com os relatos, os ministros alegam que a CPMI poderia aprofundar o desgaste da imagem do STF, especialmente em um momento em que a atuação de Toffoli como relator do caso Banco Master passou a ser questionada publicamente e dentro da própria Corte. Entre as decisões controversas estão a imposição de sigilo às investigações, a tentativa de realizar acareação antes da coleta de depoimentos e a ordem para envio direto de material apreendido ao seu gabinete, posteriormente revista com o repasse à PGR.
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Outro ponto de preocupação seria a possibilidade de convocação de familiares dos ministros para prestar esclarecimentos. O artigo relembra o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. Apesar disso, o tema não foi aprofundado no depoimento de Vorcaro ao STF.
No caso de Toffoli, a oposição pretende investigar as ligações do ministro com o resort Tayayá, no Paraná. Reportagens apontam que fundos ligados ao cunhado do dono do Banco Master adquiriram participação de irmãos do ministro no empreendimento, frequentemente chamado nos bastidores de “resort do Toffoli”.
Mesmo diante da pressão parlamentar, até agora nem Hugo Motta, na Câmara, nem Davi Alcolumbre, no Senado, sinalizaram disposição para instalar a CPMI. Nos bastidores, Alcolumbre tem afirmado que, se a pressão se tornar insustentável, pode autorizar apenas uma CPI exclusiva do Senado, onde teria maior controle político.
Para o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento, a investigação é inevitável. Segundo ele, embora a CPMI não possa convocar ministros do STF, ela pode chamar pessoas do entorno que tenham indícios de envolvimento no caso. Jordy afirma que não é possível “varrer a sujeira para debaixo do tapete” e sustenta que Toffoli não deveria sequer relatar o caso no Supremo.
No pedido da CPMI, o parlamentar defende a apuração de conexões entre gestores privados, intermediários financeiros, agentes públicos e autoridades, além de possíveis omissões regulatórias, pressões institucionais e interferências indevidas sobre o Banco Central na liquidação do Banco Master. Ele também cita investigações sobre supostas pressões feitas por Alexandre de Moraes ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, em favor da instituição financeira.
