
Um e-mail enviado por um ex-diretor de imagem da Rede Globo provocou grande repercussão interna e expôs descontentamentos que, segundo ele, vêm crescendo entre funcionários nos últimos meses. A mensagem, que rapidamente circulou por diversos setores da empresa, relata problemas envolvendo escala de trabalho, horas extras, decisões administrativas, reconhecimento profissional e até a suspeita de um possível desvio de recursos. Após a divulgação do conteúdo, a Globo confirmou que tomou conhecimento do e-mail e divulgou uma nota negando todas as acusações.
O caso ganhou atenção após o colunista Lucas Pasin, do Metrópoles, ter acesso ao texto completo, escrito pelo ex-funcionário e distribuído para diversas equipes da emissora. O e-mail foi enviado justamente no ano em que o Grupo Globo celebra seu centenário — o que, segundo o autor da mensagem, intensificou um clima de frustração entre trabalhadores que esperavam uma postura diferente da empresa no marco de seus 100 anos de existência.
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Acusações sobre jornada de trabalho e remuneração
Entre os principais pontos levantados pelo ex-diretor, está o suposto excesso de trabalho imposto a parte dos colaboradores. Ele afirma que existem equipes submetidas a escalas de seis dias por semana, com alterações frequentes nos horários e ampliação da jornada sem pagamento devido de horas extras. Em vez disso, argumenta que o uso do banco de horas se tornou “desproporcional” e que, em muitos casos, não refletiria de maneira justa o esforço exigido.
A mensagem ressalta ainda uma insatisfação generalizada com o que seria uma política falha de reconhecimento profissional. O ex-funcionário cita que determinados eventos internos e celebrações são direcionados apenas a áreas específicas, enquanto outros setores, igualmente importantes para o funcionamento da empresa, teriam sido negligenciados.
“Funcionários que não ganharam nem um bombom”, lamenta em determinado trecho, em referência ao que descreve como um abismo entre a alta gestão e os demais colaboradores. Ele também questiona o cancelamento da tradicional festa de fim de ano — algo que, segundo ele, teria sido decidido em meio a cortes de custos que impactaram sobretudo os trabalhadores de base.
Menção a possível desvio de R$ 100 milhões chama atenção
Um dos trechos mais polêmicos do e-mail menciona rumores de um suposto desvio de R$ 100 milhões — “um para cada ano” da empresa, ironiza o ex-diretor, referindo-se ao centenário do Grupo Globo. A afirmação, embora não acompanhada de qualquer prova ou detalhamento adicional, se espalhou rapidamente entre funcionários e gerou debates sobre transparência financeira e governança interna.
A acusação, no entanto, foi prontamente rebatida pela Globo. A emissora afirmou categoricamente que “não é verdade que houve qualquer desvio ou corte irregular de recursos”, reforçando que a menção presente no e-mail não corresponde aos fatos.
Crítica à cultura interna e ao discurso institucional
O e-mail enviado pelo ex-funcionário critica de forma contundente a gestão atual da Globo, afirmando que a realidade vivida nos bastidores não condiz com o discurso institucional de valorização daqueles que sustentam o trabalho diário da emissora. Segundo ele, existe uma distância crescente entre a mensagem distribuída pelas lideranças, que exalta colaboração, diversidade e respeito, e a experiência prática dos empregados.
Ele menciona que “rola um descontentamento muito grande com tudo”, descrevendo comentários que teriam se tornado comuns em corredores, grupos internos e reuniões informais. A mensagem sugere que a empresa estaria priorizando eventos para “a galera importante”, enquanto atividades voltadas ao bem-estar ou à celebração com o quadro geral teriam sido engavetadas ou reduzidas.
Repercussão interna e clima de tensão
A circulação da mensagem provocou intensa troca de comentários entre funcionários. Alguns teriam demonstrado concordância com parte das críticas, especialmente no que diz respeito à carga de trabalho e ao reconhecimento profissional. Outros, entretanto, classificaram o e-mail como exagerado e motivado por mágoa pessoal.
Independentemente da posição individual, o episódio expôs questões sensíveis dentro da emissora e reacendeu debates sobre condições de trabalho na maior empresa de comunicação do país. Há relatos de que gestores foram orientados a conversar com suas equipes para evitar que o clima interno se deteriore ainda mais.
Resposta oficial da Globo
Procurada pela coluna do Metrópoles, a Globo enviou uma nota oficial negando veementemente todas as acusações feitas no e-mail. “A Globo possui canais formais e mecanismos internos de gestão para tratar as questões e insatisfações mencionadas no e-mail do ex-funcionário, e lamentamos que ele não tenha recorrido a esses instrumentos enquanto esteve conosco”, afirmou.
A emissora reiterou que não houve desvio de recursos ou cortes irregulares e destacou que permanece comprometida com políticas de gestão transparentes e práticas trabalhistas adequadas.
