
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) decidiu desafiar abertamente o Supremo Tribunal Federal (STF) ao embarcar para os Estados Unidos durante o recesso parlamentar, mesmo após ter seu pedido negado por Alexandre de Moraes. O parlamentar utilizou o passaporte diplomático para sair do Brasil por Manaus, contrariando uma medida cautelar vigente e reafirmando o desgaste entre os poderes.
No último dia 15 de julho, do Val solicitou ao STF autorização para visitar Orlando com sua família. No dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes indeferiu o pedido, alegando que o senador deveria se adequar às medidas cautelares em vigor, e não o contrário. A investigação sobre a qual ele é alvo ainda está em andamento, o que inviabilizaria qualquer tipo de liberação, segundo o magistrado.
Mesmo assim, o senador viajou normalmente, justificando-se por meio de nota oficial onde afirma que sua documentação consular e diplomática está em plena validade. Segundo ele, a viagem foi previamente comunicada ao STF, ao Ministério das Relações Exteriores e ao Senado. A nota enfatiza que o passaporte diplomático está ativo até 2027, sem qualquer restrição formal — apesar da decisão contrária do Supremo.
O episódio, no entanto, agrava ainda mais o embate entre membros do Legislativo e o STF. A Primeira Turma da Corte já havia decidido, em fevereiro de 2025, pelo bloqueio e recolhimento dos passaportes de Marcos do Val, inclusive o diplomático. A medida foi motivada pela suspeita de que o senador fazia parte de um grupo que intimidava policiais federais, conforme os autos da investigação em curso.
A Polícia Federal e o Itamaraty ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a saída do parlamentar. Em situações semelhantes, a PF alegou que a responsabilidade por passaportes diplomáticos é do Ministério das Relações Exteriores. O silêncio das autoridades diante da quebra de ordem judicial levanta dúvidas sobre a efetividade das medidas do STF e evidencia que, em certos casos, a impunidade fala mais alto do que a lei.