
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para apurar o escândalo do Banco Master, recusou-se a responder a um ofício sobre eventuais entradas de Daniel Vorcaro nas dependências do Senado, negou-se a fornecer à Polícia Federal a lista de visitantes do gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA), suspeito de receber propina, e sempre desconversa quando indagado sobre o nível de suas relações com o ex-banqueiro. Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro iluminam essa zona de sombra. Elas revelam que Alcolumbre é um amigo fraterno, um irmão, um parceiro fiel com quem o dono do Master podia contar a qualquer tempo, a qualquer hora, para qualquer coisa.
As mensagens divulgadas pela Revista Veja revelam um presidente do Congresso servil, submisso e capturado pelos prazeres que o dono do Master proporcionava. Mostram também que a intimidade entre eles vinha de longa data.
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Alcolumbre foi eleito presidente do Senado pela segunda vez no dia 1º de fevereiro de 2025. No mesmo dia, Vorcaro enviou um texto ao senador dando-lhe os parabéns e desejando sucesso no cargo. “Fala meu amor”, respondeu o parlamentar. “Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Sou seu irmão. Pra vida toda”, continuou.O banqueiro responde à gentileza com cinco emojis de coração e juras: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.
Em maio passado, Alcolumbre recorreu a artimanhas regimentais para evitar a criação da CPI que se dispunha a investigar os tentáculos políticos do caso Master. “Esse assunto não pode ser o prioritário neste momento”, justificou.
Em junho passado, pouco depois de Davi Alcolumbre inviabilizar a criação da CPI no Congresso, uma reportagem publicada na imprensa revelou detalhes de uma proposta de delação premiada que a defesa de Daniel Vorcaro encaminhou à Polícia Federal. Nela, entre outras revelações, o banqueiro se oferecia para falar sobre pagamentos feitos ao senador numa conta secreta aberta no exterior. Em troca de benefícios, o dono do Master prometia revelar o caminho de 30 milhões de dólares repassados a Alcolumbre por serviços prestados pelo político. O acordo de colaboração, no entanto, não foi aceito.
Na época, o parlamentar disse que as informações eram falsas e, numa reunião com os colegas, negou até mesmo conhecer o banqueiro.
Em um dos últimos registros em poder dos investigadores, o dono do Banco Master pergunta a Alcolumbre se ele tem notícias do “nosso amigo”. “Estou em Cima!!! Pressão!!!”, respondeu o senador. A sombra começa a se dissipar.
O senador Carlos Viana acaba de pedir o afastamento imediato de Davi Alcolumbre da presidência do Senado Federal. Sua permanência no cargo está insustentável. O senador diz ainda o seguinte:
“As novas mensagens publicadas pela Veja mostram uma relação pessoal muito próxima entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro justamente enquanto decisões relevantes sobre o Banco Master passavam pela Presidência do Senado.”
Jornal da cidade
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