
Segundo reportagem da CNN Brasil publicada nesta segunda-feira (21), o governo chinês passou a acompanhar com atenção as declarações e posições de Flávio Bolsonaro, diante da possibilidade de ele chegar à Presidência da República. Fontes em Pequim disseram à CNN que o objetivo é avaliar como poderia ficar a relação entre Brasil e China em um eventual governo do senador.
De acordo com essas fontes, existe preocupação em Pequim com uma possível postura mais alinhada aos Estados Unidos e mais crítica à China. Ao mesmo tempo, autoridades chinesas avaliam Flávio como alguém mais pragmático e moderado do que seu pai, Jair Bolsonaro, cuja gestão teve momentos de forte tensão diplomática com Pequim.
A China estaria especialmente atenta às posições de Flávio sobre Brics, minerais críticos e inteligência artificial. O programa de governo do candidato prevê a retomada do processo de adesão do Brasil à OCDE, mas não faz menção ao Brics, grupo que será presidido pela China em 2027.
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Os minerais críticos são outro ponto de interesse. A reportagem lembra que os Estados Unidos já pressionaram o Brasil em negociações comerciais para rever a venda de minas de níquel à chinesa MMG. Para Pequim, mudanças nessa área poderiam afetar investimentos estratégicos chineses no país.
Na área tecnológica, a China também acompanha a posição brasileira sobre inteligência artificial. O governo Lula apoiou a entrada do Brasil na Waico, organização lançada pelo presidente Xi Jinping, enquanto os Estados Unidos lideram a iniciativa conhecida como Pax Silica, criando uma disputa estratégica em torno das cadeias de tecnologia e IA.
Apesar das preocupações, interlocutores do governo chinês disseram à CNN que não esperam grandes impactos imediatos no comércio bilateral mesmo diante de uma eventual mudança de orientação política brasileira. A China continua sendo um dos principais mercados para produtos brasileiros, como soja, petróleo, minério de ferro e carnes.
A preocupação maior estaria nos investimentos chineses no Brasil, que envolvem projetos como fábricas da BYD e da GWM, equipamentos ferroviários da CRRC, o megadata center da ByteDance no Ceará e investimentos em tecnologia e telecomunicações. Segundo as fontes ouvidas pela CNN, esses projetos dependem de estabilidade política e de boas relações entre os dois países.
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