
Marcola, chefe de gabinete de Lula desde o início de seu mandato e, desde o último dia 21, um dos coordenadores de sua campanha, sentiu um aperto em seu orçamento, ou precisava comprar algo muito importante, que não podia esperar. Ao invés de procurar um banco, Marcola foi ter direto com a herdeira de um banco, que, prestimosamente, lhe emprestou R$ 250 mil. O empréstimo, segundo o ex-chefe de gabinete, já foi devolvido.
Azarado esse Marcola. Foi pedir empréstimo justamente para uma lobista que se reuniu nada menos do que 41 vezes (uma vez por mês, em média, durante o mandato Lula) com órgãos do governo. Fica parecendo que os 250 mil serviram de lubrificante para azeitar a máquina.
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Mas isso são, certamente, “especulações e ilações”, no dizer de Marcola. Claro. Afinal, é super normal alguém que você não conhece lhe emprestar 250 mil. E justamente alguém que você pode ajudar abrindo portas em órgãos públicos. São dessas coincidências da vida.
Lula, obviamente, não sabia de nada. Quando e se se manifestar a respeito, certamente dirá que Marcola será investigado e deverá “provar a sua inocência”, assim como ele fez. É incrível como a alma mais inocente do mundo está sempre próxima de pessoas que precisam “provar a sua inocência”. É muito azar.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
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