Delegado da PF ameaça Mendonça: “O troco não vai tardar” em meio à guerra do Caso Master

A crise em torno do Banco Master subiu mais um degrau e colocou o ministro André Mendonça, do STF, no centro de uma crescente disputa com setores da Polícia Federal. Segundo reportagem do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, uma ala da PF teria desenvolvido um sentimento de “vingança” contra o ministro depois de interpretar suas decisões no caso como uma tentativa de atingir o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Um delegado em posição de comando teria resumido o clima interno com uma frase que chama atenção: “O troco não vai tardar.”

A declaração ocorre depois que Mendonça determinou que a PF analisasse mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material continha referências ao próprio Andrei Rodrigues, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao ministro Alexandre de Moraes. A partir dessa análise, foram divulgadas conversas entre Vorcaro e Moraes que colocaram o STF sob enorme pressão política. O diretor-geral da PF, por sua vez, considerou que Mendonça teria extrapolado suas atribuições e classificou a ordem como potencialmente abusiva e capaz de provocar nulidades.

O conflito ficou ainda mais delicado porque Mendonça é o relator do Caso Master e tem sob sua responsabilidade investigações extremamente sensíveis. O ministro assumiu a relatoria depois da saída de Dias Toffoli e, desde então, ampliou a autonomia da Polícia Federal em determinadas etapas da investigação. Em junho, inclusive, sua segurança foi reforçada após uma avaliação interna do STF identificar aumento do risco relacionado à sua atuação nos casos Master e INSS.

Agora, a expressão “troco” ganha significado especialmente preocupante porque a própria PF já apresentou objeções formais às decisões do ministro. Andrei Rodrigues sustenta que Mendonça não poderia determinar determinadas medidas envolvendo outro ministro do STF sem autorização do plenário da Corte. A divergência jurídica está justamente em saber se a determinação para identificar e analisar as menções a Moraes constituiu uma nova investigação ou apenas uma etapa da apuração já existente.

Paralelamente, surgiu outro episódio que aumentou a temperatura: Daniel Vorcaro prestou um depoimento ao gabinete de Mendonça sem a presença da Polícia Federal. O ex-banqueiro afirmou ter sofrido maus-tratos, tortura psicológica e ameaças durante sua prisão e alegou que teria sido pressionado para não mencionar Andrei Rodrigues em uma eventual delação. A PF e integrantes da PGR contestam essas acusações e afirmam que Vorcaro não apresentou provas concretas de que tenha sofrido tais abusos.

O ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, afirmou que qualquer denúncia com “mínima verossimilhança” contra integrantes da PF deverá ser apurada pela própria corregedoria da instituição. Ao mesmo tempo, o episódio revela que o conflito deixou de ser uma simples divergência processual e passou a envolver PF, STF, PGR e Ministério da Justiça, cada qual apresentando interpretações diferentes sobre a condução do caso.

E há um detalhe político que torna o cenário ainda mais explosivo: setores da PF ligados ao diretor-geral estariam avaliando formas de reagir às decisões de Mendonça. Segundo as informações publicadas, uma ala da corporação relembra investigações nas quais o ministro teria, na visão desses policiais, adotado uma postura favorável a investigados próximos ao bolsonarismo, citando como exemplo o ex-governador Cláudio Castro. É justamente nesse contexto que aparece a frase atribuída ao delegado sobre o “troco”.

Ao mesmo tempo, não há confirmação de que exista uma operação oficial da Polícia Federal para retaliar Mendonça. O que existe, segundo as reportagens, é o relato de uma disposição de setores da corporação para reagir às decisões do ministro. Essa diferença é importante: transformar uma declaração atribuída a um delegado em uma afirmação de que toda a PF estaria planejando uma retaliação seria ir além do que as informações disponíveis comprovam.

O cenário institucional, porém, é inegavelmente grave. Gilmar Mendes já sugeriu a Edson Fachin que delegados da PF cedidos ao Supremo deixem de atuar diretamente nos gabinetes dos ministros. Atualmente, cinco delegados estão cedidos ao STF, sendo dois deles vinculados ao gabinete de Mendonça. A proposta surgiu justamente após a escalada da crise e da divulgação das mensagens de Vorcaro.

Em outras palavras: a guerra institucional em torno do Caso Master está longe de terminar. Mendonça enfrenta críticas da cúpula da PF, setores da Polícia Federal falam em “troco”, o PT tenta questionar sua permanência na relatoria e, ao mesmo tempo, o ministro continua analisando documentos capazes de atingir figuras importantes da República. A grande questão agora é saber qual será esse “troco” mencionado pelo delegado e se ele ficará restrito ao campo jurídico ou poderá desencadear uma nova batalha dentro do próprio Supremo. Até o momento, essa é uma ameaça atribuída a um integrante da PF, e não uma decisão institucional anunciada pela corporação.

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By Jornal da Direita Online

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