
A Reag Investimentos, empresa citada na Operação Carbono Oculto da Polícia Federal (PF), manteve encontros com autoridades do governo federal, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, quando este ainda chefiava a Secretaria de Relações Institucionais (SRI). As informações foram reveladas pelo portal Metrópoles e levantam novas suspeitas sobre a relação entre o setor financeiro investigado e o núcleo do governo.
Segundo registros oficiais, em 12 de agosto de 2024, Galípolo recebeu em audiência, na sede do Banco Central, o fundador e presidente do Conselho de Administração da Reag, João Carlos Falpo Mansur, apontado pela PF como administrador de fundos usados para lavagem de dinheiro. O encontro, fechado à imprensa, contou também com o chefe de gabinete do BC, Julio Cesar Costa Pinto, e tinha como pauta “assuntos institucionais”.
Já em 14 de novembro de 2024, outro encontro ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença de Alexandre Padilha. A reunião incluiu representantes da Associação de Mineração da China, do Grupo Sinolac e sócios da Reag Investimentos.
De acordo com a ferramenta “Agenda Transparente”, ligada à ONG Fiquem Sabendo, a Reag e seus dirigentes tiveram diversas reuniões com órgãos do governo desde 2023, incluindo a CVM, ANTT, Ministério dos Transportes e a própria SRI.
A Operação Carbono Oculto, deflagrada na última quinta-feira (28), cumpriu mandados contra empresas financeiras, fintechs, fundos de investimento e até um terminal portuário. A investigação revelou que grupos criminosos — inclusive o PCC — usaram estruturas paralelas de investimento para lavar bilhões de reais, com participação de empresas como a Reag Investimentos e a BK Bank.
A Reag se apresenta como a “maior gestora independente do Brasil”, com R$ 340 bilhões sob gestão, e garantiu em nota que “repudia qualquer envolvimento em estruturas ilegais”, afirmando estar colaborando com as autoridades.
Enquanto isso, o Banco Central afirmou que realiza reuniões com diversos segmentos da sociedade e que os temas tratados podem ser técnicos ou protegidos por sigilo, razão pela qual não constam em detalhes nas agendas públicas. O episódio, porém, aumenta a pressão sobre o governo Lula, já que aproxima autoridades federais de uma empresa diretamente implicada em um esquema de lavagem de dinheiro bilionário.