
Depois do editorial crítico publicado pelo The Wall Street Journal, agora foi a vez do The Washington Post direcionar duras críticas ao sistema judiciário brasileiro, levantando questionamentos sobre os poderes acumulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
Em seu editorial, o jornal americano abordou a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a eleição e afirmou que o episódio representa um sinal preocupante para a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental.
O texto também questiona a concentração de poderes no Judiciário, especialmente a atuação de Moraes em investigações relacionadas à desinformação, decisões sobre redes sociais, bloqueios de contas e medidas contra pessoas investigadas.
Um dos trechos mais contundentes afirma:
“Um ataque ao Estado de Direito não dá aos juízes licença para se desprenderem dele. Ninguém está acima da lei, nem mesmo quem tem a função de interpretá-la.”
O editorial também estabelece uma distinção entre o Estado de Direito (rule of law) e o chamado governo por meio da lei (rule by law), alertando para o risco de autoridades utilizarem instrumentos jurídicos para exercer poderes sem limites institucionais adequados.
Sobre Flávio Bolsonaro, o jornal ressalvou que uma eventual investigação não comprova culpa, assim como sua saída do Brasil não demonstra inocência.
Outro ponto questionado foi a abertura de uma investigação envolvendo a Rockbridge Network, após representação apresentada pelo PT ao Supremo. Para o jornal, esse tipo de episódio pode comprometer a percepção de independência do Judiciário.
Ao concluir, o Washington Post destacou que uma democracia saudável precisa tanto de adversários que aceitem os resultados eleitorais quanto de um sistema de Justiça no qual possam confiar.
A repercussão internacional das decisões do Judiciário brasileiro ganha mais um capítulo, agora com críticas publicadas por um dos jornais mais conhecidos dos Estados Unidos.
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