
O advogado criminalista Tracy Reinaldet, da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, revelou que Karina Gama, dona da produtora de “Dark Horse”, tem salvas todas as mensagens sobre a coação que sofreu para realizar a delação premiada. A declaração foi dada durante entrevista para o jornalista Claudio Dantas.
A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, deixou registrado em cartório que afirma ter sido pressionada para fazer uma delação premiada envolvendo o financiamento da produção. O documento tem sete páginas, foi assinado em 3 de setembro e registrado em cartório no dia seguinte. A Polícia Federal encontrou o documento durante as buscas realizadas contra a empresária em 10 de setembro.
No documento, Karina relata três contatos que, segundo ela, envolveram propostas ou incentivos para que colaborasse com as investigações. O primeiro teria ocorrido em maio, quando ela afirma ter sido procurada por Fernando Sarney, que teria oferecido apoio jurídico, mencionado proximidade com o ministro Flávio Dino e dito que poderia ajudá-la caso tivesse interesse em fazer uma delação. Sarney nega ter feito esse contato.
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O segundo contato teria acontecido em 27 de agosto, por meio de um pastor e amigo da produtora. Segundo o relato registrado em cartório, ele teria dito ter proximidade com pessoas do governo federal e ministros do STF e transmitido a possibilidade de uma delação como forma de evitar uma possível “complicação”. Karina afirma que respondeu que não tinha motivos para fazer uma colaboração porque, segundo ela, não havia cometido nenhum crime.
O terceiro episódio teria ocorrido em 3 de setembro, quando Karina afirma ter recebido contato de um jornalista da revista Piauí. Segundo ela, o jornalista já havia questionado anteriormente sobre uma possível delação e, nessa ocasião, teria dito que ela estava “servindo de bucha de canhão para o candidato”, dando a entender, conforme o relato da empresária, que poderia enfrentar medidas judiciais caso não colaborasse. O jornalista não comentou o caso, segundo a CNN e a Folha.
Um ponto importante é que o documento não apresenta, por si só, prova de que autoridades do governo ou ministros do STF tenham ordenado qualquer pressão contra Karina. A própria produtora escreveu que não pretende acusar ninguém de cometer ilícitos sem provas e que registrou os episódios para preservar as informações e permitir uma eventual verificação posterior pelas autoridades.
Karina também afirmou no documento que pretende continuar colaborando com as investigações por meio de seus advogados, mas que não pretende fazer uma delação premiada. Ela declarou ainda que não pretende fugir, esconder documentos ou atrapalhar as investigações. A existência do documento ganhou relevância porque ele foi produzido antes da operação da PF que realizou buscas contra a produtora, embora isso não comprove que a operação tenha sido motivada pelas recusas à delação
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