
O produtor Michael Brian Davis, sócio da empresa americana Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, informou à Polícia Federal que não entregará voluntariamente documentos contábeis, fiscais, bancários e contratuais da empresa sem uma ordem de um juiz dos Estados Unidos. A informação consta de um e-mail enviado em 2 de setembro e posteriormente incluído no processo.
A PF havia solicitado documentos para verificar os gastos realizados nos Estados Unidos durante a produção do filme. Entre os materiais pedidos estavam faturas, contratos com atores estrangeiros, comprovantes de despesas e documentos que demonstrassem a aplicação de aproximadamente R$ 54,2 milhões no exterior.
No e-mail, Davis afirmou que qualquer entrega de documentos submetidos à jurisdição americana deveria ocorrer por meio dos canais de cooperação jurídica internacional, como uma carta rogatória, ou mediante determinação da Justiça dos EUA. Segundo ele, a empresa somente forneceria os documentos depois de receber uma ordem judicial americana.
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A produtora brasileira, ligada a Karina Ferreira da Gama, entregou ao STF mais de 21 mil páginas de documentos relacionados à produção. Entretanto, esse material não inclui os documentos referentes aos gastos realizados pela estrutura americana da empresa, justamente a parte que Davis se recusou a fornecer diretamente à PF.
O caso ganhou importância porque a investigação tenta esclarecer como foram financiados os gastos de Dark Horse. Segundo um laudo apresentado pela defesa, o filme teria custado R$ 75,2 milhões, sendo R$ 54,3 milhões gastos nos Estados Unidos. A PF, porém, ainda busca comprovar documentalmente esses valores. Há também divergências nos documentos sobre o orçamento total da produção, com cifras que chegam a aproximadamente R$ 134 milhões em contratos e materiais relacionados ao projeto.
A investigação ocorre em duas frentes. Uma delas, sob relatoria de André Mendonça, apura transferências relacionadas ao financiamento do filme e ao Banco Master. Outra, conduzida por Flávio Dino, investiga suspeitas envolvendo emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e possíveis desvios de recursos públicos.
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