
O caso envolvendo Moraes e Vorcaro ganhou um novo capítulo nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações divulgadas pela colunista Bela Megale, de O Globo, o ministro Alexandre de Moraes passou a concentrar suas manifestações nas circunstâncias que levaram à obtenção e divulgação das mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.
De acordo com relatos atribuídos a integrantes da Corte, Moraes estaria especialmente irritado com a atuação do ministro André Mendonça, responsável por determinar providências que resultaram na identificação das comunicações envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.
Moraes questiona atuação de André Mendonça
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- Finalmente, surge a “desculpa” de Moraes a colegas do STF sobre mensagens com Vorcaro
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Segundo os relatos publicados, Moraes teria afirmado a colegas que Mendonça teria criado um “desafeto para a vida” ao determinar que a Polícia Federal identificasse as mensagens nas quais ele aparecia como interlocutor.
A avaliação atribuída ao ministro é de que Mendonça não poderia ter solicitado o levantamento das conversas sem saber previamente que Moraes apareceria entre os envolvidos.
O episódio aumentou a tensão entre os dois ministros e passou a expor publicamente uma divisão dentro do STF em torno dos desdobramentos do caso.
Moraes passa a concentrar discurso na forma, não no conteúdo
Um dos pontos destacados nos bastidores é a mudança no foco da reação de Alexandre de Moraes.
Conforme o relato publicado, um integrante próximo ao ministro resumiu a estratégia da seguinte maneira: “Hoje o Alexandre só fala da forma. Não do conteúdo.”
A avaliação ocorre depois que vieram a público informações sobre a frequência das comunicações entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Até então, segundo os relatos, Moraes teria associado a relação de Vorcaro principalmente à sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, cujo escritório manteve contratos milionários com empresas relacionadas ao ex-banqueiro.
Documentos mencionados em reportagens sobre o caso apontam três contratos que, somados, chegam a R$ 208 milhões. O escritório já afirmou que Moraes foi consultado sobre eventual existência de impedimentos legais para a contratação e que não havia, em seu gabinete, processo envolvendo o Banco Master ou Vorcaro.
Encontro entre Moraes e Mendonça aumentou tensão no STF
A crise também provocou apreensão antes de uma sessão plenária do Supremo.
Segundo os relatos divulgados, havia preocupação entre ministros sobre a possibilidade de um confronto entre Moraes e Mendonça no primeiro encontro presencial dos dois após a divulgação das mensagens.
Mendonça teria recebido a sugestão de participar da sessão por videoconferência, justamente para evitar um encontro direto com Moraes. O ministro, porém, recusou a alternativa.
Apesar da tensão nos bastidores, os integrantes da Corte optaram por não transformar o episódio em um confronto público durante a sessão.
Caso envolvendo Moraes e Vorcaro amplia crise no Supremo
As revelações sobre Moraes e Vorcaro acrescentaram uma nova dimensão à crise que envolve o STF e a investigação sobre o Banco Master.
O relatório elaborado pela Polícia Federal passou a ser um dos principais elementos da disputa. A partir dele, ganharam repercussão informações sobre mensagens, encontros e relações comerciais envolvendo o ex-banqueiro e pessoas próximas ao ministro.
Ao mesmo tempo, a própria legalidade dos procedimentos utilizados para reunir e divulgar essas informações passou a ser questionada por integrantes das instituições envolvidas.
A crise também provocou manifestações de diferentes setores. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, por exemplo, pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declarasse impedido de atuar em procedimentos relacionados aos fatos nos quais é citado.
O episódio, portanto, deixou de ser apenas uma discussão sobre as mensagens e passou a envolver questões sobre os limites da investigação, a atuação de ministros do Supremo e a própria estabilidade interna da Corte.
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