O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou opinião divergente do colega Dias Toffoli no julgamento sobre a anulação de atos da Operação Lava Jato contra o ex-ministro Antonio Palocci. Em 1º de abril de 2025, Fachin votou na Segunda Turma do STF para manter os atos processuais contra Palocci, rejeitando a decisão de Toffoli que, em fevereiro de 2025, anulou todas as provas e processos relacionados ao ex-ministro por suposto conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.
Toffoli, relator do caso, manteve sua posição inicial no julgamento virtual iniciado em 28 de março, sendo acompanhado por Gilmar Mendes, formando um placar de 2 a 1 a favor da anulação. Ele argumentou que as mensagens da Operação Spoofing evidenciam parcialidade e comprometem o devido processo legal, justificando a extensão a Palocci de decisões que beneficiaram outros réus, como Lula e Marcelo Odebrecht. O julgamento segue até 4 de abril, aguardando os votos de André Mendonça e Nunes Marques.
Fachin, por sua vez, defendeu que não há similitude fática suficiente entre o caso de Palocci e os precedentes citados por Toffoli, como o de Odebrecht, para justificar a anulação automática. Ele destacou que os diálogos da Spoofing, embora graves, foram obtidos ilicitamente e deveriam ser analisados em instâncias inferiores, respeitando o devido processo legal, e não pelo STF em pedido de extensão genérico. Para Fachin, a PGR tem razão ao pedir a manutenção das provas, desde que validadas adequadamente.
A divergência reflete visões distintas na Corte: Toffoli adota uma abordagem mais ampla, anulando atos da Lava Jato com base em vícios processuais sistêmicos, enquanto Fachin busca uma análise caso a caso, preservando a competência das instâncias ordinárias e evitando generalizações. O desfecho depende dos dois votos restantes, mas a posição de Fachin sinaliza resistência ao desmonte total das ações da operação no STF.
O ex-desembargador Sebastião Coelho foi detido nesta terça-feira, 25, no Supremo Tribunal Federal (STF), em flagrante delito, sob acusação de desacato e ofensas ao tribunal. A prisão foi determinada pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, que também ordenou a lavratura de boletim de ocorrência. Coelho, que é advogado de Filipe Martins, ex-assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, tentou ingressar na 1ª Turma do STF para acompanhar o julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um vídeo gravado pelo próprio Coelho, é possível vê-lo na porta do colegiado, alegando que foi impedido de entrar, apesar de afirmar que havia lugares vagos disponíveis. O STF rebateu e emitiu uma nota oficial alegando que Coelho não se cadastrou previamente para participar da sessão. Advogado de Filipe Martins, o desembargador Sebastião Coelho foi barrado na entrada do plenário da Primeira Turma do STF 🚨🚨🚨🚨 pic.twitter.com/EGaPuYyjam — Claudio Dantas (...