O discurso moralista do deputado federal André Janones acaba de ruir sob o peso das próprias práticas que ele tanto condenava. Conhecido por atacar com veemência adversários políticos – especialmente figuras da direita – e por se apresentar como símbolo da “nova política”, Janones agora protagoniza o mesmo tipo de escândalo que usava como munição retórica: a famigerada rachadinha.
Investigação da Polícia Federal revelou que, entre 2019 e 2020, o parlamentar se apropriou de parte dos salários de dois assessores de seu gabinete, somando R$ 131 mil. Com o cartão de crédito de seu chefe de gabinete, Janones teria bancado despesas pessoais que vão desde clínicas de estética até a compra de roupas, móveis, eletrodomésticos e refeições em restaurantes. As transações aconteceram em Brasília e em Ituiutaba (MG), sua base eleitoral.
O caso é mais do que um escândalo administrativo: é uma exposição brutal da incoerência de um político que construiu sua imagem pública atacando opositores por práticas que, agora se comprova, também fazia uso.
O mesmo Janones que cobrava punição exemplar para envolvidos em rachadinhas nas esferas estadual e federal, agora se esconde atrás de um Acordo de Não Persecução Penal para evitar o avanço do processo criminal contra si.
Embora negue publicamente ter confessado qualquer crime, o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal prevê a devolução dos valores desviados e o pagamento de multa – o que, por si só, já é uma admissão tácita de culpa. A “nova política” prometida por Janones se revelou apenas mais um capítulo do velho manual de hipocrisia.
A máscara cai: Janones fazia parte exatamente do sistema que fingia combater. E, como tantos outros que condenou, virou personagem do mesmo enredo de escândalos que prometeu extinguir.
Enquanto os holofotes iluminavam os discursos hipócritas de Janones nas redes sociais, nas sombras de seu gabinete, a rachadinha comia solta.
Karina Michelin. Jornalista. Jornal da cidade
O ex-desembargador Sebastião Coelho foi detido nesta terça-feira, 25, no Supremo Tribunal Federal (STF), em flagrante delito, sob acusação de desacato e ofensas ao tribunal. A prisão foi determinada pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, que também ordenou a lavratura de boletim de ocorrência. Coelho, que é advogado de Filipe Martins, ex-assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, tentou ingressar na 1ª Turma do STF para acompanhar o julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um vídeo gravado pelo próprio Coelho, é possível vê-lo na porta do colegiado, alegando que foi impedido de entrar, apesar de afirmar que havia lugares vagos disponíveis. O STF rebateu e emitiu uma nota oficial alegando que Coelho não se cadastrou previamente para participar da sessão. Advogado de Filipe Martins, o desembargador Sebastião Coelho foi barrado na entrada do plenário da Primeira Turma do STF 🚨🚨🚨🚨 pic.twitter.com/EGaPuYyjam — Claudio Dantas (...